segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Jazz na saída ...














Jazz, a música  onde toda a beleza está nas variações, no improviso, na criatividade...
Estas fotos roubadas são algumas das melhores imagens do ano que está no fim....

Tolerância sempre e em todas as circunstâncias; não julgar nem cobrar, viver e deixar viver....
Give peace and love a chance !!!!

 
































































































quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Desconstruindo teias...

























Por falta de lógica ou por falta de sentido adoro desconstruir....
Desconstruir na necessidade de desmontar a lógica das coisas que a toda a hora nos provam não ter lógica nenhuma.
Reacção instintiva , talvez a única forma de sobreviver ás consequências devastadoras que é viver para testemunhar a perenidade de tudo, a falibilidade de tudo... 
Desconstruindo  isso tudo vou construindo uma não lógica em que as possibilidades são sempre a razão base...









Uma teia nos envolve sub-repticiamente e quando damos conta passamos o tempo a olhar criticamente para tudo, como se houvesse alguma verdade ou certeza para nos basearmos... 

Não existe nada disso e só a alma querendo ser livre poderá surfar os dias, poderá se inspirar criando a sua linguagem do equilíbrio e assim passar por entre os pingos surreais do quotidiano ...














"

Aquela flor amarela sorri para as pedras quentes que permanecem mudas sem transpirar... 
O sorriso serpenteia pela paisagem agreste enquanto o pianista afina as cordas vocais.
Lá para os lados do cais, a noite cai primeiro e de bruços, estende-se ao comprido pela avenida....
O cartaz anunciando mais um Congresso revolve-se desesperado, tenta em vão soltar as cordas que o crucificam por cima da rua, de poste a poste.
Dois flamingos elegantes de chapéu cor de rosa bebem ice tea pelo bico na esplanada e o autocarro passa cheio a abarrotar; o mugido do gado é surdo e não dá para entender se vão felizes ou a reclamar...
A  flor amarela não murchou e o brilho dos dentes permanece, resplandecente...
Enquanto isto o cão do 2º andar sai contrariado 
a passo pelas traseiras levando o dono pela trela, não esboça qualquer emoção, depois do jantar só lhe apetecia  dormir...
Quase a chegar à estação vejo uma senhora de boxers evoluindo sua dança e socando como Clay... 
Chega de surrealismo !
Passa-me a ferro, desamarrota-me ! - grita desesperado o sorriso posto, amarelo...
A flor fartou-se de sorrir e as pedras arrefeceram os ânimos.
(continua?)

                                                                                                                                        "
















segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Celebrando a vida...



























A vida , viver,  é pura magia, uma dádiva plena de infinitas possibilidades e impossibilidades...
A festa pagã, a alegria e entrega completa , nada pára a devoção  de todos em prol de mais uma celebração da vida...


















É mágico, como uma nuvem cintilante que nos tenha coberto entramos todos na azáfama dos planos e preparativos e correrias, todo mundo, todas as bolsas se espremem  na contribuição, para a banga final, melhor, para as bangas finais...
As oferendas que se fazem, a troca de  sentires  em forma de agrados nos transforma a todos em deuses adorados...





















Lindo de ver, é um puro intervalo divino na rotina que nos mecaniza, é como se o mundo estivesse acabando, não interessa como vai ser no fim, depois, nada, o que se quer é que estes dias sejam intensos, inesquecíveis  !!!











Celebremos o melhor possível este tempo muito curto mas de verdadeira comunhão... 

Somos pagãos, desde sempre que o somos...
sendo assim, comamos e bebamos até mais não, de pois dancemos até o dia raiar...
















domingo, 16 de dezembro de 2012

Música para o fim do mundo...















Tudo está a acontecer muito rápido, parece que o mundo entrou numa espiral de extremos e nós atónitos não conseguimos ficar focados...

O mundo é dispersão e nonsense, este turbilhão de energia tem de descarregar algures , seja de que forma for...

Fala-se da grande mudança, ela está a acontecer , sente-se...

O resto é arte e música...


















E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue;
E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.
E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. 
Apocalipse 6:12-14















































A teoria budista mais próxima desta questão "Fim do Mundo" é chamada de Era Mappou. Map(matsu) significa final ou término e po(hou) Dharma, ou seja o budismo não se atem ao fim do mundo como matéria, mais sim, em relação ao mundo e seus seres como distantes da Lei Universal (Dharma, conteúdo da iluminação), à uma era caracterizada pelo crepúsculo do Dharma, onde os ensinamentos, sua prática e efeitos se ocultariam devido à ignorância dos seres quanto a Lei Universal.






























































quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sweet reggae e o Amor



























Falar de amor não é fácil, bem mais fácil é gritar a mágoa e o desencanto
Dizer do amor é como tentar desenhar no escuro, é como tentar descrever o sol a brilhar
O amor não é transportável para as palavras,  as emoções ficam diminuídas , elas servem só aos amantes.









Amar é transcender tudo e a paixão é dor e êxtase, é o sentir mais profundo da pulsão humana.
Morre-se de amor e ressuscita-se na paixão; nada mais tem significado se o amor se quebra nem que só por um instante...











O mundo e seus problemas, como a chuva caindo no mar desaparecem quando o amor reina.
Amai, apaixonai-vos, pois é essa a única razão  desta nossa existência 
















Eu simplesmente amo-te!
Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde.
Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: 
eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.
Pablo Neruda 















sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Heliodoro Baptista sempre...















Heliodoro Baptista é um dos maiores poetas moçambicanos e mesmo que o queiram enterrar ele permanecerá vivo.
Vivemos tempos conturbados no nosso amado país e lembrar a sua história faz todo o sentido; é como se fosse uma forma de invocar o seu espírito a assistir ao que ele sempre negou querer para nós.
A sua história está contada 
por Adelino Timóteo no blog do Custódio Duma  e para quem quiser ler coloquei o link no fim deste post . Usei alguns extractos e desde já  peço desculpa aos dois por ter usado o vosso material sem pedir licença.
 Heliodoro, nunca serás esquecido, nunca !! 










Ele a si se nomeava: Poeta de três prisões, exílio e desempregos. 
“O melhor que alguns nomes do poder me deram foi: três prisões, três desempregos - um deles durante mais de cinco anos -, fome e morte lenta”, são dele estas palavras.







Onde e quando, li ou ouvi, que quem sabe se conter

terá sempre, embalado no tumulto, força para se proteger?
Dizem, populismo frouxo: a liberdade experimenta-se;
mas, por cá, pela cruel indiferença, berramos:
Foda-se!
















Como as prisões e exílio atestam, ele não foi um poeta amado. A pátria não o amou, apesar dele tanto tê-la amado. Heliodoro foi por assim dizer um poeta que não tendo saído para o exílio, passou-o aqui dentro do país 34 anos.







Estou doente como um cão
num barco içado pela babugem
no ritmo Índico puro da monção;
O homem que eu disse ser,
inescrupuloso, de rara penugem,
é o capitão deste barco a arder
no seu cachimbo em forma de coração;
Longe, a ilha de seu destino, é vaga ideia
em qualquer privado jardim da consolação:
céu, mar, gaivotas de fogo, o pé-de-meia
de quando eu ainda pensava ter razão.
Este homem recorta-se no vosso céu de aço;
Ventos temporais, estrelas caídas de fronte,
O cachimbo sem tabaco, o declinado horizonte
E o coqueiro híbrido na mão insurrecta, largo o espaço.










E o País que insistiam que fossem dele e que ele recusou é este país avaro em cultura, rico em corrupção. 
Heliodoro vivia desta recusa que alguns aceitam pacificamente. 
E nessa situação se foi isolando. 
E houve também casos que o foram isolando deliberadamente.
Viveu rodeado de livros.





Escrevemos na pele: 

a morte não existe 
porque já dormimos sobre ela; 

se se passa alguma coisa? não, meu amor;
ou seja, passa-se absolutamente tudo!
e o tudo é o pão
que nunca houve neste nada;
(mas o nada será o princípio de tudo,
estas já longas servidões humanas);

esquino, te reescrevo, Thandi; e se tenho palavras
é porque imito o canto
de uma ave fecundada adulta;

(claro que o lirismo não se prende ou rotula:
aceita-se tarde ou se nega e muito cedo);

mas o poeta tem boca:
as metáforas o seu ardil,
para que outros leiam
o que ele nunca disse.










http://athiopia.blogspot.com/2009/05/heliodoro-baptista-o-incapturavel.html





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Os inquietos e a floresta profunda













Basta ler alguns blogues amigos e o que salta à vista é a inquietação que a nós todos toma de assalto tantas  vezes. 
Somos uma espécie inquieta e por essa razão inventamos tantas terapias, tantas filosofias, tantas religiões.

A inquietação vence sempre, ela permanece e mesmo que achemos uma fórmula para aquietarmos nosso ser  o exterior que é uma máquina compressora nos invade e lá  vai toda a acalmia por água abaixo.








Os budistas se refugiam nos seus eremitérios e dessa forma conseguem permanecer muito tempo sem que a alma se alvorace...
Eles são pessoas que se desligam do mundo material e do mundo das pessoas comuns.

Nós os comuns mortais não temos como e esse nosso kharma é uma marca registada, sofrimento sempre...








A droga, o álcool, a fuga, o desistir, os fanatismos etc,  são as falsas saídas mais usadas contra essa nossa  condição tão penosa.

Por muito que nós queiramos nos auto-educar no sentido de viver em paz  é quase impossível , o nosso modus vivendi , o modelo de vida vigente à escala global nada tem que nos possa encaminhar para uma existência de paz, ele é predador, cruel, sem piedade; é a lei do mais forte , a do mais astuto.










Vejo nos comentários dos blogues o pessoal dando sua opinião sempre no sentido de ajudar o inquieto e me apetece dizer:
" Pimenta na boca do outro é açúcar na nossa "
Nós seres humanos somos tão esquisitos, puxa !!
Alguém sabe duma boleia para Marte ou Urano? 
Eu vou, tipo final do filme Encontros Imediatos de 3º grau...

...não se esqueçam também que 21 de Dezembro é o fim do mundo ou fim dum ciclo ou fim de qualquer coisa ou mesmo sei lá, o fim da picada !!









terça-feira, 27 de novembro de 2012

Jimi Hendrix 70th birthday ...
















Hoje o Jimi completaria 70 anos !!
Fico super feliz e ao mesmo tempo muito surpreendido pelo facto do post " Jimi Hendrix Bleeding Heart " ser tão visitado...
Jimi é assim um ícone universal e eterno, é o guitar hero primevo, a forma magistral como ele usava e tocava a guitarra eléctrica  mudou para sempre a música  .













Este post é para os fãs e especialmente para o pessoal mais jovem que não conhece a sua obra.
Estes vídeos foram extraídos do festival de Monterey que foi o 1º festival de música do planeta e que é o documento mais completo da perfomance   em palco deste génio da guitarra eléctrica .









Normalmente não ponho links para baixar  mas desta vez  quebrarei a regra sem remorsos.
O DVD é simplesmente divinal.
Curtam !!!















http://extratorrent.com/torrent/1008293/The+Jimi+Hendrix+Experience+Live+At+Monterey+2007+DVD-9(oan).html

sábado, 24 de novembro de 2012

Let's rock !!














A nossa capacidade inata de termos a certeza absoluta e sem pestanejar passarmos à certeza absoluta da negação, somos vagos sentimentos policromáticos, somos e não somos...








Sentimentos ficam gravados para sempre e mesmo que depois outros sentimentos surjam, os  anteriores permanecem , invioláveis , vivos...









Sentimentos são esculturas inquebráveis, eles apenas vão mudando de cor e os anteriores  ficam para trás, juntam-se a outros e permanecem ...até que um dia os revisitamos e eles estão lá !









Sentimentos, invisíveis elementos,  poderosa força que destroça o homem e que o eleva também ao êxtase supremo...









quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cores das auras

















As nuvens escuras mantêm  o quarto na penumbra
Vai chover , o silêncio ocupa o espaço, o tempo parou 
Um cansaço profundo cola o corpo à cama desarrumada
A noite de insónia e  incompreensão foi agitada, alvoraçada
Atravessado, destapado, desesperadamente desconsolado morre
Morrem os sonhos,  não lhe apetece levantar mais, está seco...









Começa a chuviscar, o som quebra o silêncio, parte-se o resto desse coração
Despedaçado, as lágrimas explodem num soluço libertador
O mundo deixou de ser o lugar para se estar, pensa em se suicidar
Levanta-se dum salto e procura na despensa uma corda, não encontra
Olha para o fogão e sente o sufoco suave do gás o libertando , o aliviando ...
Lembra-se do Pessoa ...








 

Se te queres matar, porque não te queres matar? 
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida, 
Se ousasse matar-me, também me mataria... 
Ah, se ousares, ousa! 
 ...
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente! 
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém... 
Sem ti correrá tudo sem ti. 
Talvez seja pior para outros existires que matares-te... 
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
...




                                                                                








Noutro lugar onde o sol resplandece , num quarto luminoso  o oposto
O sorriso  sai com ele porta fora para a vida , ao encontro das gentes
Caminhando pela rua  já vai cumprimentando todo mundo , passo largo, confiante
Irradia paz e cantarolando vai cumprir mais um dia de rotina
O cell toca e ela já lhe vai dizendo que o ama e o que o espera para beijar
Na esquina compra um antúrio vermelho, ansiosa ela acena do outro lado da rua ...











Lá onde o sol brilha os dois num banco de jardim são a razão de se viver
O antúrio pousado no colo , as mãos entrelaçadas , os olhos bebendo-se
Nada mais tem importância, a vontade de estar juntos , o prazer de viver
Ontem foi bom, hoje está a ser divino e amanhã nos teremos e isso basta !
A vida é maravilhosa, o amor é disso a prova e com ele tudo vale a pena
Recitam juntos  Vinicius...







Eu não sei, não sei dizer
Mas de repente essa alegria em mim
Alegria de viver
Que alegria de viver
E de ver tanta luz, tanto azul!
...
Coração, põe-te a cantar
Canta o poema da primavera em flor
É o amor, o amor chegou 
Chegou enfim
...







segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Espelho líquido ...















Como será estar do outro lado do espelho?
Como será quando passarmos para a dimensão do não existir materialmente?
Continuar a existir  espiritualmente do outro lado do espelho é uma incógnita mas  também  uma esperança ...
Essa única certeza basilar de que temos prazo nos  deixa putos da vida e infelizmente ninguém voltou para contar como é ...
Não sabemos se como um fósforo que se apaga definitivamente nós também simplesmente terminaremos .








Os Livros Sagrados todos  têm explicações que não me convenceram nunca  e só basta mesmo é sossegar o facho.
Sossegar e viver o dia a dia em sintonia em harmonia com todos os elementos, em harmonia com a natureza.
Uma forma de nirvana essa de deixar de questionar o inquestionável e usufruir da vida sem a julgar,  sem dela nada cobrar , sem a colocar dentro de estereótipos.









Ah !!!
A curiosidade de saber como é do outro lado do espelho é desmedida...
O facto de termos esta capacidade inata de perceber o quanto nada sabemos, dá um certo sentido às nossas vidinhas ...
Se questionamos é porque fomos feitos para questionar e então não faz sentido não haver uma réstia de esperança em relação a possíveis revelações fantásticas..
Pago para ver e estou expectante em relação ao outro lado do espelho...








Tudo isto porque já me cansa esta existência tão previsível e toda engendrada na base do domínio dos mais fortes sobre os mais fracos.
Que merda termos de lutar numa luta desigual, sem saber se nessa luta outros factores inesperados não serão também introduzidos para a tornar ainda mais difícil !!!
Somos pó das estrelas, somos talvez aliens que invadiram este planeta, somos sei lá o quê...
Celebrar a vida é sem dúvida a única escolha que faz sentido e quando chegar a hora da passagem para o outro lado do espelho tudo se esclarecerá .









quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Meu País a fervilhar ...


















Lá para o centro cozinham-se frustrações e ódios e os homens vivem na mata a espera da guerra.
Nós aguardamos a chegada dum qualquer messias,
 aguardamos o bom senso, esperamos pelo despertar da razão  daqueles que mandam e desmandam..














A cidade está vazia e fantasmagórica...
 Vivemos hoje um dia a fingir, vagamos cegos , fomos cobaias dentro dum barril de pólvora...
Esperavam-se convulsões, esperavam os que mandam neste país  que o povo se revoltasse, sabiam que sim, que era possível...
Eles sabiam e povoaram a cidade de guardas leais, premeditadamente o fizeram, intimidando ...
 Os pneus muito discreta e timidamente iam ardendo e o sururu foi inóquo, ficou adiado...


















Os celulares emudeceram devido a um vírus que se supõe chamar mordaça e a expectativa esmoreceu... 
Os parcos níqueis com que o povo vive diminuíram mais e amanhã se verá o milagre da multiplicação...das dificuldades.
Ficou um clima não resolvido, os chapas desapareceram antes da raiva fazer espumar as bocas sedentas de justiça, a acalmia é de tréguas...
Ao sabor do improviso e do acaso se guia inconscientemente um povo para o abismo....
Plenos  de bestialidade eles que podiam tudo resolver invocam os  espíritos sedentos de sangue, levam-nos pela mão para a boca do inferno...














A caminhar se percorreram os caminhos para casa, acabrunhados, esfomeados os trabalhadores andaram  quilómetros sem razão, sem explicação...
 A remoer incompreensões e raivas, o povo era a ressaca do trabalho perdido, mais pobres ainda que ontem, de cara amarrada reflectiam a desilusão, o conformismo, a derrota..
Surreal, como se as ondas do mar vagassem de terra para o oceano, regressavam sem perceber e sem justiça visível...













Estas misturas de sentires já se estenderam e entraram pela pele da indignação deste povo num só...
Sem compreender e sem saber analisar o cidadão se cansa totalmente e fica a mercê desse espírito que leva o inocente a cometer  actos irreflectidos.
Plantaram friamente  em nós a semente da indignação e do despeito!!
A indesejável flor do ódio, essa grassa já incontrolável..
Infelizmente sente-se no ar os ventos gelados que antecedem o deflagrar das tempestades há muito acumuladas !!! 
 













domingo, 11 de novembro de 2012

Borges de novo ao Domingo...















Jorge Luís Borges escreve dum modo que me tira todo ensejo de tentar rabiscar minhas divagações, fico seco...
Hoje reli pela milésima vez,  poemas e trechos de um dos quatro volumes da sua antologia,  que são meus livros de cabeceira e me pasmo sempre com tanta sensibilidade, criatividade, erudição.
Todos atributos de grandeza se aplicam à obra deste génio do pensamento e das letras

















  















Num deserto lugar do Irão há uma não muito alta torre de pedra, sem portas nem janelas.
No único compartimento (cujo chão é de terra e tem a forma de um círculo) há uma mesa de madeira e um banco.
Nessa cela circular, um homem parecido comigo escreve em caracteres que não compreendo um longo poema sobre um homem que noutra cela circular escreve um poema sobre um homem que noutra cela circular...
O processo não tem fim e ninguém poderá ler o que os prisioneiros escrevem.




















Só uma coisa não há: e esta é o olvido.
Deus, que salva o metal, e salva a escória,
cifra em Sua profética memória
as luas que serão e as que têm sido.
Já tudo fica. A sequência infinita
de imagens que entre a aurora e o fim do dia
teu rosto nos espelhos deposita
e as que depois ainda deixaria.
E tudo é só uma parte do diverso
cristal desta memória: o universo.
Não têm fim os seus árduos corredores,
e se fecham as portas ao passares;
e só quando na noite penetrares,
do Arquétipo verás os esplendores.



























Não há-de te salvar o que deixaram 
Escrito aqueles que o teu medo implora; 
Não és os outros e encontras-te agora 
No meio do labirinto que tramaram 
Teus passos. Não te salva a agonia 
De Jesus ou de Sócrates ou o forte 
Siddharta de ouro que aceitou a morte 
Naquele jardim, ao declinar o dia. 
Também é pó cada palavra escrita 
Por tua mão ou o verbo pronunciado 
Pela boca. Não há pena no Fado 
E a noite de Deus é infinita. 
Tua matéria é o tempo, o incessante 
Tempo. E és cada solitário instante. 
















fotos da tribo do rio Om de Hans Silvester  .



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

be focus !!








                                                   








Deep House  antigo ...
...e fotos roubadas











                                          




















































































As fotos foram roubadas deste  maravilhoso blog .
 


       http://photoblogazine.blogspot.com/




segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Histórinhas de Maputo







                                                     
                                                                                   Os filhos de Maputo







" Os filhos de Maputo ", é como se chama esta pintura do meu grande amigo, irmão e fabuloso pintor Luís Gomes.
Esta pintura é um olhar originalíssimo para a temática africana, simplesmente fantástica a vista do céu da multiplicidade de cores das capulanas, das vozes femininas , do povo em movimento ...








O sol que não brilhava e muito menos aquecia este verão africano, rasgou finalmente as nuvens que o aprisionavam e pulverizou o frio doentio que tudo entristecia e a vida sorri de novo...











As mulheres como que enfeitiçadas pelo astro rei , como uma onda se espraiando e entoando cânticos ancestrais caminham em direcção ao futuro prometido, sonham pomares maduros e escolas risonhas , sonham machambas fartas , e seguem atrás das pinceladas do Luís...







                                                                                                      A espera do futuro






O louco de tronco nu no cruzamento duma das avenidas mais movimentadas de Maputo, caminha em círculos, agitado...
No  meio do tráfego da hora de ponta, de pedra em riste faz as pessoas nos passeios refrearem o seu caminhar apressado e ficarem sideradas perante tal espectáculo...
Alça a mão e dispara para um carro que vem em sua direcção e atinge o vidro, estilhaçando-o !




" Ahhhh...".  - um clamor de espanto e despeito sobrepõem-se ao silêncio que se seguiu ao som da pancada seca da pedra contra o vidro.
Nada mais se passou, o carro seguiu com o motorista em estado de choque, sem nada poder fazer, a loucura é isenta de julgamentos, é um estado puro .
O louco em frenesim foi rodopiando tal qual um ciclone  e se desvaneceu na multidão , vai-se lá saber  o porquê da sua fúria...









                                                 Parte da minha alma é maresia





Pintura de Luís Gomes


Palmas ao artista !!



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pessoa persistente...







                                            
















Não digas que o trabalho é desperdiçado, 

Nem que o esforço falha ou parece, no fundo; 
Não digas que aquele ao dever curvado 
É um entre os tantos sonhos do mundo. 

Pois não é em vão que em golpes seguidos, 
Com pressa medida, em fragor crescente, 
O mar actua nos rochedos batidos 
E invade a praia, ruidosamente. 










É certo que enfrentam suas investidas, 
Do seu bater forte parecem troçar, 
Esmagam com força as vagas erguidas 
E em espuma fazem as ondas rasgar. 

Mas ele bate e bate com força 
Em dias, semanas, em meses e anos, 
Até que apareça mossa sobre mossa 
Que mostre seus gastos, pacientes ganhos. 

E os anos passam, as gerações vão, 
E menores se quedam as rochas cavadas; 
Mas ele, com lenta e firme precisão, 
Baterá na terra suas altas vagas. 







Certo como o sol e despercebido 
Como duma árvore é o seu crescer, 
Trabalha, trabalha sem ser iludido 
P'la tenaz imagem que se pode ver. 

E quando o seu fim de todo obtém, 
Em sonoro embate, p'ra fender, se lança, 
Seu poder imenso ainda mantém 
E, inda mais além, nas águas avança. 

Alexander Search, in "Poesia"




domingo, 28 de outubro de 2012

Jazz no fim de Outubro
















Jazz...

existem palavras para dizer os sentires do peito mas melhor é que fiquem no silêncio, que  deixem as notas musicais escreverem o sentimento...

Jazz
























Jazz


 num solilóquio azul, borboletando por dentro a música pinta divagações e improvisos em telas  irrepetíveis...



Jazz

























Jazz

o lamento dos algodoais, a embriaguez nos bares de New Orleans , o chocalhar das correntes nos tornozelos, a voz dopada junto com o ronronar do saxofone e a guitarra  dizendo seriamente da alma


Jazz
























Jazz

misteriosa linguagem esta, feita a cada momento, recriando-se sempre a volta dum mantra harmonioso que nos emociona e vicia, nunca se repetindo


Jazz