terça-feira, 29 de novembro de 2011

Buddha - song by Trentemoller






 

 

                   OS TOLOS E A PROCURA DO CAMINHO


Suponhamos um homem que vai á floresta buscar alguma medula, que cresce no centro das árvores, e volta com um fardo de galhos e folhas, pensando que conseguira aquilo que fora buscar.
Não seria ele um tolo, se está satisfeito com a casca, endoderma ou madeira, ao invés da medula que fora procurar ? 
Mas é isto o que muitos seres humanos fazem.
Uma pessoa procura um caminho que a afasta do (sofrimento) nascimento, da velhice, da doença e da morte, ou da lamentação, da tristeza, do sofrimento e da dor; entretanto, se, seguindo um pouco esse caminho, nota algum progresso, torna-se orgulhosa, vaidosa e arrogante.
É como o homem que procurava medula e saiu da floresta satisfeito apenas com uma braçada de galhos e folhas.
Outro homem que se satisfaz com o progresso alcançado com pouco esforço, negligência seu empenho e se torna vaidoso e orgulhoso; está apenas a carregar um fardo de galhos ao invés da medula que procurava.
Outro ainda, achando que sua mente se tornou mais tranquila e que seus pensamentos se tornaram mais claros, também relaxa o seu esforço e se torna orgulhoso e vaidoso; tem um fardo de cascas ao invés da medula que procurava. 




 Outra pessoa se torna orgulhosa e vaidosa porque notou que obteve um pouco de compreensão intuitiva; ela tem uma carga de fibra lenhosa ao invés da medula.
 Todos estes seres humanos que se satisfazem com seu insuficiente esforço e se tornam orgulhosos e altivos, negligenciam o seu empenho e facilmente caem na indolência.
Todos eles, inevitavelmente, terão que arrostar novamente o sofrimento.
Aqueles que buscam o verdadeiro caminho da iluminação não devem esperar uma tarefa cómoda e fácil ou um prazer proporcionado pelo respeito, honra e devoção.
E mais, não devem almejar, com pouco esforço, ao supérfluo progresso em tranquilidade, conhecimento ou introspeção.
Antes de tudo, deve-se ter, de modo claro na mente, a básica e essencial natureza deste mundo de vida e de morte
.




1 Giant Leap - What About Me ?


Disco mágico, pura World Músic com uma componente electronic muito forte e uma espiritualidade subjacente incrível....
Participam neste álbum desde Michel Stripe, Zap Mamma, K.D.Lang, Baaba Maal, Carlos Santana, Jhelisa Anderson, Allanis Morissete, Rokia Traoré etc.
Maravilha para chillar e curtir ...obrigado Miguel e Vera....
Projecto de musica conceptual e multimédia criado pelo fundador dos Faithless Jamie Catto e Duncan Bridgemen








http://en.wikipedia.org/wiki/1_Giant_Leap

sábado, 26 de novembro de 2011

Raphael Saadiq - Instant Vintage

 

 

Raphael Saadiq é um músico com uma voz extraordinária, um dos grandes nomes do   R&B .


Meu álbum preferido  "Instant Vintage" de 2002...




Raphael Saadiq (born Charles Ray Wiggins in Oakland, California; May 14, 1966) is an American singer, songwriter and record producer. Saadiq has been a standard bearer for "old school" R&B since his early days as a member of the multiplatinum group Tony! Toni! Toné! He also produced songs of such artists as TLC, Joss Stone, D'Angelo, Mary J. Blige, and John Legend. He and D'Angelo were occasional members of The Ummah, a music production collective, composed of members Q-Tip and Ali Shaheed Muhammad of A Tribe Called Quest, and the late Jay Dee (also known as J Dilla) of the Detroit-based group Slum Village.

Saadiq's critically acclaimed album, The Way I See It, released on September 16, 2008, featuring artists Stevie Wonder, Joss Stone and Jay-Z, received three Grammy Award Nominations and was voted Best Album on iTunes of 2008. His fourth studio album, Stone Rollin', was released on March 25, 2011. For the album, Saadiq worked with steel guitarist Robert Randolph; former Earth, Wind & Fire keyboardist Larry Dunn; Swedish/Japanese indie rock songstress Yukimi Nagano (of Little Dragon fame); plus hip hop newcomer Taura Stinson


http://en.wikipedia.org/wiki/Raphael_Saadiq




sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Fiction? - song by Gnarls Barkley









A fila de carros no cruzamento se transforma num puzzle, encaixam-se em desenhos abstractos no mais perfeito passa quem puder e onde os mais engenhosos tentam  furar pelos espaços possíveis enquanto os semáforos vão pacientemente mudando de verde para laranja, depois vermelho, de novo verde  e assim sucessivamente...
O caos se instalou e ninguém fica nervoso ou sai do carro para reclamar aos céus...simplesmente o ambiente está normalíssimo e os condutores  esperam, é assim que funciona,  alguns  falam ao telemóvel ausentando-se dali pelos ouvidos, outros dormem um pouquinho e a maior parte parece ausente com os semblantes inexpressivos, hipnotizados...
Os polícias não estão para fazer fluir este mar, não existem, estão a controlar a velocidade dos incautos que se apressam em estradas desimpedidas da periferia e por isso mesmo uma tentação para se  andar um pouco mais rápido ou estão em avenidas por onde circulam transportes de passageiros superlotados,  mandando-os parar para exigir a sua autoridade em forma de dinheiro, enquanto os passageiros se explodem em apertos, cheiros e desespero de chegarem a casa...



Olho para o céu, que só vejo parte por entre os prédios e espero ver aparecer  o super homem   voando em nossa direcção com o braço esticado,  furando o ar e vindo para nos salvar, mas não o vejo aparecer...
Vejo sim um saco plástico sebento que se cola no pára brisas e como sei que o transito está parado saio do carro e... meto o pé num buraco  do alcatrão, ainda por cima  cheio de água da chuva que vai caindo sem parar enquanto no passeio alguns putos se escangalham a rir...
Não me irrito, enervar-me para quê?
O sistema imunológico entra em acção e sacudo o pé,  retiro o plástico voador do vidro e entro de novo no carro.
Ligo o rádio e oiço o locutor a dizer que segundo estudos apurados  as alterações introduzidas no transito melhoraram bastante o tráfego,  pois segundo esses estudiosos, agora as filas não são em dois sentidos e como tal reduziu-se o congestionamento de dois para um só sentido, desligo de imediato o aparelho...
Finalmente lá vou eu e passo, rolando  calmamente com o sinal vermelho fixo, os semáforos só existem para animar a época natalícia,  o transito processa-se á vez, um de cada vez e todos ao mesmo tempo...



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Os lavadinhos - song by Chico Buarque



Como um dilúvio começaram a chover os novos imigrantes, os lavadinhos como já ouvi rotularem os portugueses que chegam ás centenas...
Não passa despercebida a presença destes pelos quatro cantos da cidade; são de estratos sociais diferentes e é vê-los no Alto-Maé de sacola ao ombro a olhar para as lojas na tentativa de colher informações para alugar; é vê-los na Cristal que é tipo o quartel general a almoçar, branquinhos esverdeados, tom de pele que sinaliza  o facto de serem recém chegados vindos do Inverno;  no Piri Piri são os clientes maioritários e não sei quantos mais estarão já  por este nosso imenso Moçambique,  são cerca de 30.000 que já cá estão a tentar a sua sorte, pois a situação em  Portugal está de se fugir...
Só em Angola estão mais de 130.000 , não consigo imaginar o cenário se as coisas continuarem neste ritmo...
A vida é de uma ironia cruel e eu que já vivi o suficiente para testemunhar as grandes mudanças fico sem argumentos, sem lógica  para explicar o que isto me faz sentir, mas mesmo assim vou arriscar..
Nasci e cresci aqui sob o regime colonial e também assisti  ao êxodo dos portugueses que acompanhou a transição para a Independência de Moçambique.
Vivi também os grandes choques e os grandes ressentimentos em relação a tudo que fosse português no pós independência mas com o passar dos anos tudo isso se foi esbatendo pois a nossa realidade democrática foi tomando conta das atenções e o resto passou para segundo plano...
Já tivemos várias invasões de estrangeiros a tentarem a sorte, a tentarem se radicar para ganhar a vida, falo dos nigerianos, dos paquistaneses, dos libaneses e mais recentemente a dos chineses,  mas este regresso em massa dos portugueses nunca me passou pela cabeça que viesse a acontecer e nestes moldes .
Quando se deu a Independência saíram pela porta pequena, uns fugindo outros por vontade própria mas partiram em massa na sua quase totalidade.
A vida dá muitas voltas e de repente aí estão eles de regresso e a entrarem pela  porta pequena de novo mas num cenário totalmente diferente, espero eu...
Quando saíram foi ou porque tinham culpas no cartório ou porque não estavam para ser governados por pretos ou porque na altura era muito difícil ser-se português face ao contexto histórico ou  mesmo porquenão se identificavam com a linha politica do novo país.





Agora voltam a procura de uma oportunidade e entram discretamente, e para minha agradável surpresa estão a ser recebidos com tolerância e sem qualquer tipo de ressentimento.
Eu penso que a vinda destes lavadinhos como já os baptizaram, poderá ser uma ajuda para o desenvolvimento do nosso país; se eles se fixarem por este Moçambique afora e fizerem agricultura, comércio, criarem industrias, formarem pessoas (têm a vantagem da língua e uma cultura irmã) serão mais benéficos  que os chineses ou os paquistaneses para o nosso desenvolvimento...
Poderíamos aproveitar este momento e de colonizados usados e explorados ,sermos nós a usar a sua força de trabalho e o seu saber para connosco levantarmos a nossa nação.
O Brasil, a Venezuela, a Argentina, a África do Sul etc devem muito do seu desenvolvimento aos imigrantes portugueses, e nós deveríamos orientá-los nas possibilidades de se radicarem por este Moçambique enorme.
Para terminar quero também dizer que no meio destes imigrantes estarão com certeza alguns que tentarão repetir certos comportamentos do passado colonial que já nada têm a ver com este Moçambique independente e a esses avisar que não o façam, pois se o fizerem  poderão por em risco a situação destes muitos milhares que continuam a chegar e destruir algo que poderá ser uma boa nova para as relações de fraternidade e cooperação entre estes dois povos.
A esses a porta pequena será de novo aberta para se porem a andar e não mais voltarem....

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quem me dera ser onda - song by Keb' Mo'





Faz mais de 20 anos que li este pequeno romance que é uma obra de humor a sério.
O saudoso Heliodoro Baptista emprestou-me o livro e quis que o lê-se no mesmo dia, e foi isso que fiz enquanto  ouviamos música , ele vasculhava outros livros e fumávamos uns charritos...
Ainda não tinha trazido nada de humor para aqui e depois de tanta seriedade espiritual nada como a perspectiva dumas boas gargalhadas ....
Recomendo absolutamente a leitura deste livro...









Este livro é a crónica de uma cidade numa época em que o socialismo era a ideologia dominante. Aqui  o autor caricatura a sociedade e a burguesia como era vista na visão socialista aproveitando-se para tanto da descrição da vivência cultural quotidiana daquele povo.



...o autor é o angolano Manuel Rui que evidência o carácter cómico durante toda a narrativa.

Diogo e sua família são oriundos do interior, moram no sétimo andar de um prédio que não permite animais domésticos; porém Diogo tem muito desejo de comer carne e acaba ganhando um porquinho, ao leva-lo para casa sua intenção é cria-lo até que engorde e se torne uma apetitosa refeição.

Os filhos de Diogo, Ruca e Zeca se afeiçoam ao animal, dão-lhe o nome de carnaval,  já que é nessa data que o pai pretende fartar-se da sua carne, brincam com ele e fazem com que o porquinho seja mais que um animal de estimação; seja parte da família.

Com a presença de carnaval o prédio vira uma confusão só, pois o sindico desconfia da sua existência e tente de todos os jeitos flagrar o animal de Diogo para que este livre-se do porco. Para os meninos tudo isso é uma festa, eles chegam a levar o porco para a escola a fim de mostrá-lo aos colegas.

As crianças têm importante papel durante a trama, pois são elas que possuem o pensamento rápido e astuto para conseguir garantir a permanência do animal, escondendo-o, através de mentiras, dos fiscais responsáveis pelo cumprimento das regras do prédio.


http://criscompagnoni.blogspot.com/2010/06/quem-me-dera-ser-onda.html?showComment=1321906234255#c4502091364103652549









domingo, 20 de novembro de 2011

O Vendedor de Sonhos - song by Boozoo Bajou









Neste livro o Mestre continua a desmontar a sociedade virando-a  de cabeça para baixo. Depois de sofrer perdas irreparáveis e ver seu mundo desmoronar, esse misterioso homem procura reconstruir sua vida vendendo sonhos. "O Vendedor de Sonhos e a revolução dos anónimos" mostra como a trajectória de cada ser humano é complexa, escrita com lágrimas e júbilo, tranquilidade e ansiedade, sanidade e loucura.




Augusto Cury é um  escritor fabuloso, mestre das palavras e de  lúcida sensibilidade quando sente a alma humana , é a minha mais recente descoberta ...ainda não acabei de ler o livro mas é de tal forma intenso e de revelações constantes que não resisti a fazer este post...
Foi um acaso maravilhoso que me trouxe este escritor, esse  mesmo acaso mudou a minha vida para melhor, fez-me sentir que vale a pena querer ser uma pessoa melhor ...
Alguns pensamentos :



A maior aventura de um ser humano é viajar,
E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram...


Sem sonhos, a vida não tem brilho.
Sem metas, os sonhos não têm alicerces.
Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por omitir!









Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência.



Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável;quando somos abandonados por nós mesmos,a solidão é quase incurável.



Os sensíveis sofrem mais, mas amam mais e sonham mais.



Os sonhos não determinam o lugar em que você vai estar, mas produzem a força necessária para tirá-lo do lugar em que está.



Os milionários quiseram comprar a felicidade com seu dinheiro, os políticos quiseram conquistá-la com seu poder, as celebridades quiseram seduzi-la com sua fama. Mas ela não se deixou achar. Balbuciando aos ouvidos de todos, disse: "Eu me escondo nas coisas mais simples e anónimas...











sábado, 19 de novembro de 2011

Buddha - song by Absolute Elsewhere









                                                                                

 Eu sou o resultado de meus próprios actos, herdeiros de actos; actos são a matriz que me trouxe, os actos são o meu parentesco; os actos recaem sobre mim; qualquer ato que eu realize, bom ou mal, eu dele herdarei. Eis em que deve sempre reflectir todo o homem e toda mulher.

Tudo o que nasceu vai morrer, tudo o que foi reunido será espalhado, tudo o que foi acumulado terá fim, tudo o que foi construído será derrubado, e o que esteve nas alturas será rebaixado.







                                                                               
O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado,  não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sabia e seriamente o presente.
                                                                                
Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é o amor.
                                                                             
Quanto mais coisas você tem, mais terá com o que se preocupar.
                                                                              
A verdade está dentro de nós. Não surge das coisas externas, mesmo que assim acreditemos.
                                                                           
 A paz vem de dentro de você mesmo. Não a procure à sua volta.


Buddha



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Natiruts - Reggae Power Ao Vivo









Disco perfeito, fabuloso,  não tem uma que não preste, super bem produzido,maningue nice !!!
Curti muito esta banda ainda com o  nome Nativus,  era presença de respeito no saudoso ARTEBAR
Reggae do Brasil e como tal com o lado sensual, sweet loving reggae,  cantado na nossa língua...
Está a trovejar e as tensões se dissipam lentamente, não chove e tudo vai sossegando aos poucos, ao sabor  dos escassos pingos que vão caindo...
Natiruts elevam o astral, são pra cima e é para lá que tenho de vos levar depois do Pessoa profundíssimo ..







A banda Natiruts surgiu em Brasília, em 1996, com outro nome: Nativus. A formação da banda então contava com Alexandre Carlo (vocais e guitarra), Luís Maurício (baixo), Juninho (bateria), Bruno Dourado (percussão), Kiko Peres (guitarra solo) e Izabella Rocha (vocais).
A banda já lançou nove discos, fazendo bastante sucesso pelo país com canções como Presente De Um Beija-Flor, Liberdade Pra Dentro Da Cabeça, Natiruts Reggae Power, entre outras.

Natiruts Reggae Power Ao Vivo é o primeiro CD e DVD ao vivo da banda Natiruts, lançado em Dezembro de 2006.
Gravado  em São Paulo no dia 1 de Setembro de 2006, o disco é um apanhado geral da carreira da banda, trazendo desde sucessos antigos, como Liberdade Pra Dentro da Cabeça e Presente de Um Beija-Flor, até canções recentes, como Não Chore Meu Amor, Quem Planta Preconceito e Quero Ser Feliz Também (as três pertencentes ao disco Nossa Missão, de 2005). O disco trouxe a canção inédita Natiruts Reggae Power, que foi sucesso nacional.





é muito bom, vale ouvir duas...








vá lá três a conta que Deus fez
...





Pessoa - song by Elbow





Sou Lúcido


Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.

Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?

Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.

Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.

Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.

Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco
Aquele pobre que não era pobre que tinha olhos tristes por profissão.

Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!

E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.

Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!

Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.

Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!

Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Johannesburg - song by Bayete



Um simples passeio de 3 dias a Johannesburg ou  Egoli,  aonde já não ia há alguns anos fez com que mais uma vez os meus neurónios começassem a fumegar...
Ouve-se ainda dizer que desde que os brancos  deixaram o país que a África do Sul está a cair e que o futuro será um desastre igual ao das ex-colónias portuguesas...
O que eu vi foi um país a funcionar como sempre funcionou, organizado e em franco desenvolvimento (estou a falar só do que vi, ou seja de Maputo até Jo'burg por estrada e depois dentro da cidade), Sandton City que é um dos melhores centros comerciais que já conheci continua a funcionar como sempre funcionou  cheio de gente de todas as raças e nacionalidades, as ruas limpas, passeios impecáveis, jardins lindos, pessoas ordeiras, exactamente como sempre vi...
Sei que há zonas de risco como Hillbrow , a zona velha da cidade etc, mas isso sempre foi...a violência é uma marca deixada pelo estigma do apartheid  e que irá continuar até que os traumas daquela sociedade se curem...
A estátua de Mandela em Mandela Square é um espectáculo, é pura arte e tem a marca sul africana foi feita por sul africanos...




Vêm-se pelas artérias de Egoli , Mercedes Benz de modelos incríveis, Porches, até Ferraris vi, vi um parque automóvel de fazer inveja...mas por incrível que pareça não choca ver esses símbolos de riqueza...porque o que se vê é desenvolvimento e progresso e quando assim é tudo se encaixa; também vi terminais de chapas  com qualidade, minibuses  em bom estado e em quantidade para não haver transtornos para os utentes; não tem nada a ver com o impacto que os carros de luxo causam em Maputo, aqui parece desajustado face à realidade que se vive, sem dúvida ! 
Pois , é aqui que eu começo a fritar de raiva...
Comparar a nossa cidade de Maputo com Jo'burg é utopia , mas se uma cidade que é não sei quantas vezes maior que Maputo consegue estar  da forma que eu vi, pergunto porque é que a nossa cidadezinha comparada com ela é simplesmente uma vergonha, reflexo de desmazelo, lixo, ruas esburacadas, passeios destruídos ou a caminho da desintegração, avenidas que não são varridas, prédios descoloridos e em avançado estado de degradação, caixas de electricidade abertas, pessoas a urinarem nas acácias,somos  tudo aquilo que choca e reflecte um abandono, um deixa andar sufocante...
A estátua do Samora não poderia ter sido feita por artistas moçambicanos e reflectirem um outro lado que não o lado militarista?
Samora também tem imagens que poderiam ser enfatizadas duma forma artística sem que tivéssemos que encomendar aos coreanos algo de tão marcial, imagem  tão ultrapassada como o é o marxismo-leninismo, ele também se vestia de fato ou de balalaica .
Onde está o vestígio da nossa arte num monumento tão simbólico?



Somos vizinhos, somos irmãos...a África do Sul é a maior potência de África, porque é que nunca estreitamos os nossos laços de forma a que a qualidade deles fosse importada por nós para o nosso desenvolvimento ?
Não consigo perceber porque somos tão cegos ou tão orgulhosos  que não queiramos aprender com eles sobre como se gere uma cidade, como se mantém uma cidade, como se faz a manutenção duma cidade...
Só temos que nos envergonhar e não ficar ofendidos quando os sul africanos nos olham e tratam  com pena ou com desprezo, pois nós reflectimos o que acabei de mencionar !!!
Eles são muito ricos é verdade, mas são conhecedores de muitos domínios e numa plataforma de troca de interesses poderiam fazer por nós muito mais que certos países que aqui estão simplesmente a sacar, a roubar as nossas riquezas a troco de porcelanas frágeis ou mesmo a troco de nada quando comparado com o que eles levam...
Irrita-me solenemente...e eu que não me queria irritar, só fui passear e olhem o que aconteceu, não dá !!!



sábado, 12 de novembro de 2011

Amar - song by Lenny Kravitz

 
                                                           




                                               Amar Intensamente


De que vale no mundo ser-se inteligente, ser-se artista, ser-se alguém, quando a felicidade é tão simples! Ela existe mais nos seres claros, simples, compreensíveis e por isso a tua noiva de dantes, vale talvez bem mais que a tua noiva de agora, apesar dos versos e de tudo o mais. Ela não seria exigente, eu sou-o muitíssimo. Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os pensamentos do homem que me tiver. Preciso que ele viva mais da minha vida que da vida dele. Preciso que ele me compreenda, que me adivinhe. A não ser assim, sou criatura para esquecer com a maior das friezas, das crueldades. Eu tenho já feito sofrer tanto! Tenho sido tão má! Tenho feito mal sem me importar porque quando não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem.


Florbela Espanca, in "Correspondência (1920)"




                  Amar!



Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!


Recordar?  Esquecer?  Indiferente!...
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!


Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!


E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Florbela Espanca


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

R.I.P. Heavy D



Nunca fui grande fã do hip hop, tirando alguns artistas ou alguns discos ou mesmo algumas músicas.
Essa faceta do Heavy D pouco ou nada conheço ou aprecio, mas este senhor nascido na Jamaica em 2008 lançou um álbum de reggae chamado " VIBES" e isso sim foi outra fruta !!
Minha singela homenagem a este artista que se foi com 44 anos de idade.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

C. C. Franco - Moçambicano X Núcleo de Arte - song by Kapa Dech





                                CENTRO CULTURAL FRANCO- MOÇAMBICANO

Não me apetece desancar em ninguém, acabo achando-me um amargurado, um desiludido e isso não me está a fazer bem...
Vou apenas falar de diferenças de pontos de vista, da falta de sensibilidade etc, mas sem raiva.
Afinal como diz o meu amigo Katawala, dar ideias também é importante.
O Centro Cultural Franco-Moçambicano é um lugar de referência quando se fala de divulgação e promoção da arte em todas as suas vertentes na nossa capital; sem dúvida um lugar onde a arte acontece realmente e com infra-estruturas espectaculares, manteve o design original  tem jardins, anfiteatro, cinema, bar e mesmo sem nenhum evento a acontecer é um lugar agradável e frequentado por  gente  interessante .





Reabilitado das ruínas do antigo Hotel Clube, edifício de 1896, um vestígio da história que se iria  desmoronar no tempo, foi inaugurado em 1995 e tem sido uma lufada de qualidade no panorama cultural e intelectual desta cidade.
Obviamente um pedaço francês que nos tem trazido exposições, concertos, cinema, bailado, um pouco de arte dos quatro cantos  mundo tem passado por ali.
Frequentado por muitos turistas e por uma microscópica camada maputense, faz sentir que  infelizmente todas as sementes de arte para aqui trazidas não têm chegado aos cidadãos, sem qualquer culpa da parte do CCFM.
Não vou divagar sobre o porquê e sobre quem vem e quem poderia vir, já disse que não me quero irritar com isto !!
Bem hajam CCFM, muito obrigado pela vossa contribuição para a elevação da Cultura no nosso País !!



                                           ASSOCIAÇÃO NÚCLEO DE ARTE



O Núcleo de Arte é uma organização de carácter cultural vocacionada na promoção, valorização e desenvolvimento das artes plásticas em Moçambique, que vem operando desde 1921 numa área privilegiada da cidade do Maputo.

Foi criada com o intuito de proporcionar aos artistas um espaço onde tenham acesso a redes e recursos para construírem a sua carreira, e também onde encontrem a sua inclusão e diversidade na maneira como encarar as suas criações artísticas; o mesmo espaço serve também para dar aos amadores, coleccionadores e consumidores das artes plásticas a diversidade, aguçando o seu interesse pelas mesmas.

associação Núcleo de Arte, dentro da dinâmica dos vários projectos e  programas que surgem ao longo do seu percurso, tem facilitado intercâmbios entre artistas nacionais e estrangeiros através de exposições de obras de arte, workshops, palestras e debates, abrindo espaço de aproximação entre o público e as artes plásticas.

O espaço, através da sua galeria, oferece ao publico,todos os dias, exposições permanentes, colectivas ou individuais, de obras que podem ser vistas e adquiridas.
 (apresentação retirada do blog do Núcleo)
http://nucleodarte.blogspot.com/



Domingo ás 20H00 fui ouvir o Zé Maria e sua Banda e ao mesmo tempo visitar o Núcleo, lugar a onde já não ia há muito tempo.
Encontrei o Fiel, artista fabuloso que me mostrou os trabalhos que está a fazer e outros recentemente acabados...
Enquanto passeávamos pelo labirinto de pinturas, esculturas,
fabulosos trabalhos, caos, naquela miscelânea de tantas coisas de que  é feito o Núcleo neste momento, claramente inventado do nada pelos artistas,  fui percebendo que as condições em que estes artistas vivem, trabalham, fazem arte de superior qualidade  são  tristemente más, péssimas...
O esforço deve ser titânico para mesmo assim conseguirem manter o Núcleo vivo.
Foi daqui que saiu a famosa árvore da vida , Tree of Life , que está exposta
há anos em lugar de grande destaque no British Museum em Londres.
O ambiente estava fervilhante de vida, muita gente da terra , da arte, da música, da TV, das letras, montes de turistas, boémios, freaks etc.
O que estava a acontecer era uma celebração viva das artes , há nossa maneira, verdadeiramente maputense...





Depois de absorver o ambiente a música umas cervejas, comecei a sentir aquele mau estar que me assola sempre que percebo o quanto nós poderíamos ser melhores , de forma simples , apenas inteligentemente e com a visão do desenvolvimento cultural intelectual deste povo...
Pensei assim :
Gasta-se tanto dinheiro a construir abortos desnecessários, deita-se tanto dinheiro fora, enfim (não vou mencionar nada, não me quero irritar, já disse ) e este lugar histórico, referência incontornável da cultura maputense, situado na zona nobre, ali mesmo juntinho à Julius Nyerere, que movimenta centenas de pessoas por semana, será que não merecia que se convida-se um grupo de arquitectos moçambicanos, e se financiasse a construção duma verdadeira associação que até  já tem  90 anos de existência?
Os franceses fizeram com o CCFM aquilo que nós já deveríamos ter feito há muito tempo com o Núcleo...
Imaginemos o cenário:
Manter o edifício antigo e à volta dele criar os atelieres dos artistas, um anfiteatro para espectáculos, bares, etc...tudo inspirado na nossa cultura!!!
Será que alguém que venha a ler isto vai fazer chegar esta mensagem àqueles que poderiam promover realização dessa obra e ao mesmo tempo  fazer-lhes sentir que sem Cultura um povo deixa de existir e que não promover a Cultura é condenar um povo à ignorância e à orfandade ?
..e nem quero falar da Casa Velha, senão aí vou acabar por me irritar e dizer o que não quero....
http://en.wikipedia.org/wiki/Tree_of_Life_%28Kester%29

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Xiquelene !! - song by G- Pro Fam



O chapa pára e na caixa aberta já vão cerca de 40 pessoas apertadas.Vão como nem o gado vai.Vão colados uns aos outros.
Xiquelene ! grita o cobrador.
 Para a massa de gente que ás 19h00 ainda espera pelo transporte para chegar a casa, é o chamamento ao despojamento de toda a sua dignidade. A mamana com o bébé na beleka avança para o estribo metálico. O bébé na beleka não fica dentro da caixa aberta, fica algures num espaço aéreo fora da carroçaria. O chapa já vai a caminho das moradas dos deserdados da pátria, vai a caminho dum mundo que não tem nada a ver com a Somerchild, nada...


Ao mesmo tempo na Julius Nyerere o transito já está mais calmo. Já dá para sentado numa esplanada   testemunhar a quantidade de carros de luxo que passam. O ambiente é calmo nem parece a mesma cidade. Tudo muito limpo e iluminado. As lojas e bares como presépios de luz e cor e muitos bancos...
Pergunto-me num laivo de estupidez:  " Para quê tantos bancos?
Gosto de andar de chopela, é o transporte classe média com estilo. São os novos riquexós, a arajem e o ambiente entram-nos pelos sentidos. Refrescante. Sinto-me como um turista.
A bela cidade das acácias é uma miragem . O business fez machamba aqui. A árvore das patacas cresce a olhos vistos.



Dança-se com todas as nacionalidades, como no Festival   Kinani. Espectáculos lindos de se ver. A elite cultivada lá está marcando presença e sorrindo-se entre si. São como uma tribo pequena que se alimenta de cultura e pensamentos profundos. Bebe-se e fuma-se, bem ao estilo boémio.
Não sei se por dificuldade de transporte, se por dificuldade de vida, mas não vejo na assistência  o cidadão comum, nem um, a realidade dele só dá para kinar ao fim de semana com o som estridente da aparelhagem da barraca do bairro, enquanto vai emborcando uma garrafinha de Paradise.
"Parra quê?  Parra quê?"  faz mais sentido e o cidadão comum desbunda e nem pensa que vive noutro mundo. Nem na sua vida tão desumana. Nem sabe que foi esquecido.
Ele faz cultura verdadeira .Nada é importado nem sequer copiado. "Parra quê?
Não tem consciência de que merecia mais, muito mais !!!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lao Tse - song by Marcus Miller






Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.

Seja humilde, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás erecto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.

O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, porque não está competindo, ninguém no mundo
pode competir com ele.

  

Para ganhar conhecimento, adicione coisas todos os dias. Para ganhar sabedoria, elimine coisas todos os dias.




Amar profundamente uma pessoa nos dá força.
Ser amado profundamente por alguém nos confere coragem.


Só temos consciência do belo,
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom,
Quando conhecemos o mau.
Porquanto, o Ser e o Existir,
Se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.

O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.

Eis porque o sábio age,
Pelo não-agir.
E ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.

O sábio tudo realiza - e nada considera seu.
Tudo faz - e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos da sua actividade.

Termina a sua obra,
E está sempre no princípio.
E por isso a sua obra prospera.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Lao_Zi














terça-feira, 1 de novembro de 2011

Charles Bukowski - song by Tom Waits



 Charles Bukowski, o poeta maldito, boémio, louco  é um dos escritores contemporâneos mais conhecidos dos EUA, e alguns diriam que é o poeta mais influente e o mais imitado. Nasceu no dia 16 de Agosto de 1920 em Andernach, na Alemanha.
Sua obra obscena e estilo coloquial, com descrições de trabalho braçal, bebedeiras e relacionamentos baratos, fascinaram gerações de jovens à procura de uma obra com a qual pudessem se identificar.
Teve problemas com  alcoolismo e trabalhou como carteiro, operário e motorista de camião apesar de ter estudado jornalismo sem nunca se formar .
Bukowski tem sido erroneamente identificado com a Geração Beat,  por certos temas e estilo similar, mas sua vida e obra nunca mostraram essa inclinação. A cidade de Los Angeles, suas ruas e atmosfera, foram sua principal influência, tratando de histórias com temas simples, misturando por exemplo corridas de cavalo, prostitutas e música clássica. Ele escreveu mais de 50 livros, sem contar milhares de publicações baratas.
Uma de suas principais actividades durante anos foi a leitura de suas poesias em universidades e eventos culturais. Sua leitura debochada às vezes provocava escândalos e desordem com a plateia, algumas delas registadas em áudio.



                                                                   
Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.


                                                                       
Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. E horror é uma gentileza.
                                                                                  



Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.

                                                                                 



Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos. Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.


                                                                                



Se você for tentar, tente de verdade. Caso contrário nem comece. Isso pode significar perder tudo. E talvez até sua cabeça. Isso pode significar não comer nada por três ou quatro dias. Isso pode significar congelar num banco de praça. Isso pode significar escárnio, isolamento. Isolamento é uma dádiva. Todo o resto é teste da sua resistência. De quanto você realmente quer fazer isso. E você vai fazer isso, enfrentando rejeições das piores espécies. E isso será melhor do que qualquer coisa que você já imaginou. Se você for tentar, tente de verdade. Não há outro sentimento melhor que isso. Você estará sozinho com os deuses. E as noites vão arder em chamas. Você levará sua vida directo para a risada perfeita. Esta é a única briga boa que existe.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Bukowski