Escondida nas folhas amarelecidas, a flor guarda do beijo, o calor húmido dos lábios, na luz desse dia ao entardecer, tecemos intrincados sonhos, plantámos pirilampos nas mãos relemos corais, dos poemas na penumbra, refizemos o amor O livro já era velho, morava na sacola nómada dos meus dias as pontas amachucadas das folhas, diziam da teimosia da fala deitado no banco noturno, junto ao candeeiro do jardim, lia o poeta das estepes, quando do breu a deusa surgiu, ela e a flor Dizia o bardo no meu peito, do amor e do espaço entre as cordas do alaúde, de não beber do mesmo copo ou comer do mesmo pão, quando ela se materializou em mel, na correnteza das minhas veias, no beijo levitámos, luzente de pirilampos, o livro aberto nas mãos O papel cheira à sépia do tempo, as letras da capa descascadas, senis, repetem os olhares trocados, depois do poema arder e tudo incendiar, quando o véu se diluiu, a chama iluminou o rosto, brilhou nos olhos acendeu o b...
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