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Os eus do Eduardo White

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  Hoje sou eu e não sou, estou em mim como uma realidade etérea dentro e física fora. Sai de casa um e voltei para ela outro.  Dei conta desse facto, agora, quando me sentei junto ao computador e quis escrever e não pude.   Entretanto, uma campainha fictícia tocou-me e abri o peito para espreitar quem era e era o outro que tocava.  Esqueceste-te de mim, disse-me.  Eu fitei-o alarmado porque nunca tal realidade se tinha dado assim tão evidente.  Desculpa-me, respondi-lhe.  Abri mais o peito e ele entrou-me e logo fiquei dois num ápice. Sentamos-nos os três. Eu, a matéria, e os dois outros que me ocupam e que são informes e intactáveis e que aqui falam comigo de modo estranho. Acho inacreditável que não seja eu nenhum de vós dentro de mim, afirmo-lhes.  E eles riem-se e eu calo-me estupefacto. Se sou dois e percebo, quem é este dentro de mim?  Pergunto-lhes. Sim, porque se os vejo, sou e se com eles falo, penso e se...

...relendo Eduardo White

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Crê.  Deus me chega pela manha, pelo dia que se abre para o azul, para a pureza que de tudo emana, para o renovado e para o cantado. Deus abraça-me com a frescura e se senta dentro de mim. Faço-lhe o café, aparo-lhe a barba e troco a sua túnica de cetim. Deus é, desse modo, todo cordial e distraído, percorre-me a casa, vasculha-me os livros, pede-me versos e num pássaro, num segundo, veste-lhe as asas. Deus dormita cansado em frente à televisão, ressona tão forte como uma trovoada e por vezes chove ou se incendeia numa tempestade e eu acordo-o e Ele se levanta todo assustado. Depois quer brincar e pergunta-me pelas crianças e eu digo-Lhe: Deus, os meninos já estão crescidos. E Ele olha-me, fixamente, e questiona: E tu? E e eu brinco, não tenho outro remédio, e carrego-O ás cavalitas enquanto se ri, embora já pese muito esse meu Deus querido e gordo, e Ele esconde-se pelos quartos, pelas roupas penduradas ou desarrumadas, pelos jornais abandonados pela sala, pelos ...

Eduardo White, o poeta maldito...

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                                                               Faleceu ontem o meu amigo, companheiro de viagens interiores alucinantes, parceiro de saltos no abismo das almas e também meu inimigo em discussões geradas nas muitas nossas noites de excessos...  Foi-se embora e nem se despediu, foi como quem já tivesse partido faz muitos anos, ficaram no limbo as suas palavras tantas vezes vomitadas, de impulso gritado a despropósito ou a propósito de nada ou a doçura de suas rimas, dançando feito borboletas do paraíso nos perfumando as almas... Palavras que construía com mestria nata, perfeitas , melodiosas, com sabor e cheiro, vivas !! Eduardo é para mim o maior poeta de Moçambique e é também um dos maiores poetas da língua portuguesa e nem mesmo a insensibilidade com que o nosso paí...

Dalai Lama e o reggae de Chronixx

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A um palmo de ser pleno e sendo-o já na sua plenitude interior, o homem que planta naquele jardim as flores do adeus, espera... Espera que ser feliz não seja uma doce quimera... Acredita e sente que sim, que vai ser Sabe que tem a tranquilidade e que só pode ser assim !! Embora seja possível atingir a felicidade, a felicidade não é uma coisa simples. Existem muitos níveis. O Budismo, por exemplo, refere-se a quatro factores de contentamento ou felicidade: os bens materiais, a satisfação mundana, a espiritualidade e a iluminação. O conjunto destes factores abarca a totalidade da busca pessoal de felicidade. Deixemos de lado, por ora, as aspirações últimas a nível religioso ou espiritual, como a perfeição e a iluminação, e concentremo-nos unicamente sobre a alegria e a felicidade, tal como as concebemos a nível mundano. A este nível, existem certos elementos-chave que nós reconhecemos convencionalmente como contribuindo para o bem-estar e a felicidade. A ...

O Buddha na lucidez de Pessoa

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Ninguém a outro ama, senão que ama O que de si há nele, ou é suposto. Nada te pese que não te amem. Sentem-te Quem és, e és estrangeiro. Cura de ser quem és, amam-te ou nunca. Firme contigo, sofrerás avaro De penas. Não só quem nos odeia ou nos inveja Nos limita e oprime; quem nos ama Não menos nos limita. Que os deuses me concedam que, despido De afetos, tenha a fria liberdade Dos píncaros sem nada. Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada É livre; quem não tem, e não deseja, Homem, é igual aos deuses. Não queiras, Lídia, edificar no spaço Que figuras futuro, ou prometer-te Amanhã.  Cumpre-te hoje, não 'sperando. Tu mesma és tua vida. Não te destines, que não és futura. Quem sabe se, entre a taça que esvazias, E ela de novo enchida, não te a sorte Interpõe o abismo? Não quero as oferendas Com que fingis, sinceros Dar-me os dons que me dais. Dais-me o que perderei, Chorando-o, duas vezes, Por vosso e meu, perdido. Antes mo promet...

O suicídio das borboletas - music by Lenny Kravitz

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Um dia levantar-se-ão ventos tépidos e acariciantes e as borboletas rodopiarão pelo salão. Como cores de aguarela dançarão pelo chão de pólen enquanto vozes em surdina chorarão seus sonhos perdidos em tons dos blues dos despojados... Os aromas das várias flores levitarão e as borboletas se embriagarão, perdidas de tesão beijarão os espelhos. Arrancarão depois as asas e sem cor cairão extenuadas, olhando ajoelhadas o reflexo decrépito do corpo nu de lagarta desmembrada Pestan as longas ocultam o olho visionário, o olho de água e fogo que vê para além do sol e para além do purgatório. Por trás deste olho um crânio de ideais falhados e sonhos esburacados. Por dentro daquele sujeito amores felizes e paixões intensas se levantaram como ténues correntes dum qualquer calmo oceano, e tudo arrastaram para as areias desertas de uma qualquer ilha perdida. Náufrago numa terra de borboletas exóticas, viverá como adestrador de casulos, orquestrador e circense...

Tarrus no país da cobardia

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Como a tormenta que se não adivinha, a chuva miúda ia borrifando nossos dias com incertezas e apreensões aos magotes  e mesmo assim íamos seguindo nossas vidas... A morrinha que caía mais nuns dias do que noutros deixou de o ser e rapidamente se está a transformar em  chuva grossa,  a nós só nos resta esperar que não vire uma tempestade destruidora.... O desfecho  é mais que sabido e caminhamos sim para aquilo que nós, a maioria,  não queríamos que acontecesse mas que no intimo de cada um de nós,  sabíamos que iria acontecer, a guerra  ... Como uma máquina gigante, surreal, que surge no horizonte da ficção cientifica e esmaga tudo à sua passagem ou como o ciclone que girando a uma velocidade alucinante segue lentamente moendo tudo à sua passagem, esta borrasca promete nos deixar de novo de rastos, esmagados contra o chão, nus, sem direito a sonhar ou a querer... As rajadas já varrem vidas faz tempo mas a...

Gabo de Macondo para Maputo ...

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                                    Macondo cresce a partir de um pequeno assentamento num lugar isolado e com quase nenhum contacto com o mundo exterior, para eventualmente tornar-se num grande e próspero lugar que  antes era apenas um bananal. O estabelecimento do bananal vai levar Macondo à queda, a que se segue  uma gigantesca tempestade de vento que vai limpa-la do mapa. Enquanto a cidade cresce e até cair , as diferentes gerações da família Buendía desempenham um papel importante, contribuindo para seu desenvolvimento e para o seu fim. Segundo a Ministra, na administração pública, defesa e segurança, a taxa de reajuste salarial é de oito por cento, um incremento de 222,40 MT, fixando o salário mínimo em 3.002,4 MT. No sector da pesca semi-industrial, a taxa de reajuste é de 11,1 por cento, um acréscimo de 317 MT, o que eleva o salário mínimo para ...

Ir atrás das palavras com Jazz

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                 Saudades de escrever de supetão, com as palavras a arfar, a gritarem desespero e angústias... Vomitar as dores e as náuseas da condição humana, fazer as letras estremecerem e se encherem de lágrimas... Onde está essa alma perturbada, sem esperança, rastejando pelos becos do desencontro, onde está?   Ah !  A felicidade e a plenitude deram cabo desse ser avinagrado a copos de vinho e intoxicado a fumos de levitação... eternamente enquanto dure, soi dizer-se ... Saudades da poesia corrosiva, da miscelânea de pensamentos ansiosos, de urgências de pranto e de raivas assassinas a abarrotar... O amor é fatal para quem ama a maldição dos sentires pungentes, para quem se descreve pela dor em palavras lavradas a sangue.. Ah ! A insatisfação é uma das fraquezas maiores dos humanos, só queremos estar onde não estamos e nada nos satisfaz, somos ambíguos e fomos feitos para ser felizes e in...

Os Beatles e a falta de inspiração

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                                                                                    Escrever devia ser fruto da alegria, da felicidade, do prazer, de textos lindos, de música feita de palavras, mas para alguns é esse estado de alma que simplesmente demite a inspiração... Para alguns a dor, a angústia, o sofrimento, são os catalisadores de palavras profundas que viram escritos vindos de precipícios, dos abismos escuros da alma... O vazio do branco imaculado duma folha por escrever, não faz mossa nessa minha afortunada falta de inspiração !!                                         ...