quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tarrus no país da cobardia






















Como a tormenta que se não adivinha, a chuva miúda ia borrifando nossos dias com incertezas e apreensões aos magotes  e mesmo assim íamos seguindo nossas vidas...
A morrinha que caía mais nuns dias do que noutros deixou de o ser e rapidamente se está a transformar em  chuva grossa,  a nós só nos resta esperar que não vire uma tempestade destruidora....
O desfecho  é mais que sabido e caminhamos sim para aquilo que nós, a maioria,  não queríamos que acontecesse mas que no intimo de cada um de nós,  sabíamos que iria acontecer, a guerra  ...









Como uma máquina gigante, surreal, que surge no horizonte da ficção cientifica e esmaga tudo à sua passagem ou como o ciclone que girando a uma velocidade alucinante segue lentamente moendo tudo à sua passagem, esta borrasca promete nos deixar de novo de rastos, esmagados contra o chão, nus, sem direito a sonhar ou a querer...
As rajadas já varrem vidas faz tempo mas agora a fúria já aumentada grita com voz de trovão e nós nos agachamos, nos estendemos colados ao asfalto, nos escondemos em baixo dos autocarros enquanto os morteiros entram em acção e vomitam desprezo, despeito, desrespeito, desgraça....








A dignidade de cada um de nós está moribunda e junto com ela o respeito por nós próprios há muito que apodreceu e não existe medicina nem religião que sare essa cobardia, essa má formação congénita de um  provável cidadão  de um país que nasceu doente...
O cidadão sonhado, de um  país que ainda não existia, anunciado com o fervor de ser o seu maior anseio, por  Craveirinha, continua adiado....
Somos um povo humilde e submisso, que grilhetas nos colocaram nossos ancestrais que não conseguimos gritar a nossa indignação, lutar  e ao invés disso  nos deixamos violar?









Porque não somos guerreiros?
Porque não nos manifestamos e não lutamos pelos nossos direitos?
Porque nos agachamos e nos escondemos heróis atrás do teclado e depois  mostramos sorrisos falsos, comprometidos, convenientes  em público ?
Porque não fazemos nada e aceitamos ser cúmplices conscientes  dos crimes dos nossos algozes?
Assim sendo devemos aceitar que temos o país e o governo que merecemos !!
Somos fracos, sem personalidade e sem sentido de pátria !!!
Somos cobardes e como tal temos o país no estado em que está, um país raptado, rapinado,  à beira do precipício   !!







2 comentários:

  1. Tudo de novo, né? Ou será que tudo estava apenas convenientemente quieto, de tocaia, esperando a oportunidade de covardemente se manifestar outra vez? Eu lamento muito, meu querido Mickey. E quero acreditar que um dia, por essas bandas, haverá mais respeito pela vida e dignidade humana.

    Um beijo.
    Um abraço forte.

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  2. Pois é...quando a gente começa a acender o verde dentro da alma, imaginando que imaginando paz o noticiário faz a gente cair na real! Sinto muito Tony...
    Beijuuss

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