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Letras dispersas

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                                                                                                                   Simon Adjiashvili 1992  A vida inteira perseguimos simples quimeras, as borboletas esquivam-se e a rede jogada enche-se de ar, o garoto não desiste corre de rede alçada, a borboleta dança suave num colorido elegante, esvoaça por entre o chilrear do xirico e o verde da folhagem some  deixando o poema inacabado Letras cristalizadas em palavras doces, como o algodão que humedece a semente oferecendo-lhe o sonho da vida que germina no pulsar da seiva a flor que sente As palavras ditas a palavra ...

À flor da pele

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                                     http://www.maryckennedy.com/about                                                                  Os dados misturam-se no agito das pulsões, nos sonhos nas mãos como num vaso chocam uns contra os outros, atirados com emoção soam a oco sobre a mesa,  rolam e gravam num desenho irrepetível o acaso Ah! As palavras sacudidas na concha das mãos não são jogadas, caminham pelos dedos,  uma, depois outra, todas, aninham-se no branco da mortalha, sobre a mesa perfazem o poema, não tem nome nem morada,  como se fora uma tatuagem das musas,  em cores à flor da pele ...

Os livros não têm caras

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                                                                                 The Passion of Creation  by Leonid Pasternak Os livros, o mundo interior de alguém, pouco importa de onde brota esse rio de palavras, não carece Os livros são recipientes surreais e arrumam, a dança e o sol, a história, o gesto e pensamentos em voz alta Os livros escondem mostrando, a angústia e o anseio na forma, o delírio do autor, as lágrimas silenciosas,  choradas vezes sem conta, repetidas  no papel manchado, rasuradas, perdidas no mundo interior  sob o olhar crítico das musas Os livros e quem os escreve não têm nada a ver, como a chuva quando cai e é só a chuva que cai, como o poema de regozijo e esperança,   abandonado na me...

Outono com Ella e Louis

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                                                                                         pintura de Leonid Afremov Outono uma folha amarelada tomba no ombro resvala para o chão um tapete de frutos podres folhas e o cheiro da terra O sol sorri ainda de peito alçado o calor finge que ainda não se recolheu no coração que bate feito savana a planície vibra e irradia  No Outono o sol vermelho tinge o pensamento o aceno ao sul e às monções é instintivo Parto o cálice da fantasia e inspiro o cair da tarde com amor e gáudio Outono a noite nítida erigirá altares e cantaremos à neblina e aos nevoeiros Afinal não é a beleza a mais perfeita invenção dos olhos da alma? Outono quando as l...

Eleições mesmo?

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                                                                            pintura de Pedro Mourana     Partem para elas como para uma corrida sabemos que será tudo menos tal Gastam a energia e o pouco dinheiro fingindo que são sérios e dançamos todos comemos e o carnaval é longo e oco Como uma onda revolta as pessoas fluem de lá para cá e de cá para lá, aos gritos, excitados como as crianças quando no circo  os palhaços e os malabaristas os levam ao êxtase Aqui o êxtase é feito de conspirações, promessas inverosímeis as velhas trapaças com marionetes ainda funcionam e o povo exulta, corre pelo areal, vai à loucura! Do mais lerdo ao mais iluminado parece que todos se prontificaram a assistir ao espetáculo sem guião, o ...

O cometa d'oiro

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Palavras que sorriem comigo   dizem o amor e brilham nelas estrelas cadentes nascem   safiras tremeluzem num encanto musical    dedilham arabescos filigranas de oiro O amor em palavras mil vezes dito e desdito quando sentido por dentro do poema chora sorrindo levanta as mãos aos céus onde no firmamento cisca numa estrela o momento A palavra amor e o amor se entrelaçaram são um só  o abraço também acontece nos corações que batem em uníssono graves na pulsão do sangue nos sentidos Amor num mar sereno de marés vivas mãos dadas telepáticas a palavra calada sem promessas nem juras ficam os olhos da alma no céu o suspiro mais profundo no beijo que cintila e adoça o mel O cometa risca a ardósia da noite em oiro gira flamejante vertiginoso iça o amor e espreita embevecido...

Por agora...

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O Melomaníako blog por agora vai fazer uma pausa. Não quer isto dizer que a sua actividade pára, não! O Melomaníako continua activo no Facebook. São opções, simplesmente... Visitem a página em: https://www.facebook.com/antoniomanna57/

Gorillaz e a floresta petrificada

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     Ao som de Gorillaz, um excerto de mais uma história a ser incluída no próximo livro de contos.   O som da água está agora bem próximo e a correr Tristão aproxima-se dum lago idílico de águas cristalinas. Mergulha a cabeça e bebe aos goles dessa água fresca. Olha à sua volta e vê uma pequena e fina queda de água que alimenta este pequeno lago. Num recanto deste lago e fora de todo o contexto descrito, um montão de flores bravas do tamanho de rosas, de cor vermelha e amarela, colorem a dualidade massiva dos cinzentos de pedra e do verde intenso.   Aproxima-se das flores e um perfume inebriante o envolve. Inala o perfume diretamente dum botão amarelo e enquanto o faz vê por trás das flores e quase junto ao lago, o vulto de uma rapariga estranhamente queda. Caminha ao seu encontro e estaca ainda a uma certa distância. A rapariga está coberta com andrajos e por trepadeiras finas e cheias de flores brancas minúsculas. O que deveria ter sido uma túnica é ag...