terça-feira, 15 de outubro de 2019

Eleições mesmo?







                                                                            pintura de Pedro Mourana













  Partem para elas como para uma corrida
sabemos que será tudo menos tal
Gastam a energia e o pouco dinheiro
fingindo que são sérios e dançamos todos
comemos e o carnaval é longo e oco
Como uma onda revolta as pessoas fluem
de lá para cá e de cá para lá, aos gritos,
excitados como as crianças quando no circo
 os palhaços e os malabaristas os levam ao êxtase
Aqui o êxtase é feito de conspirações, promessas inverosímeis
as velhas trapaças com marionetes ainda funcionam
e o povo exulta, corre pelo areal, vai à loucura!












Do mais lerdo ao mais iluminado parece que todos
se prontificaram a assistir ao espetáculo sem guião,
o show de improviso onde rabiscos são traçados
neste bafiento esboço mal feito,
Com pés de barro eles querem ser endeusados, nus, vocês acreditam?
Tudo que começa mal normalmente acaba mal
ou então mal continuará até ao fim dos dias
À forma como temos sido tratados desde o inicio, 
juntemos como num bolo o fermento destes últimos dias
feito de raiva, ódio, egoísmo e brutalidade
e fiquemos à espera que ele faça crescer a justiça
Esperarão em vão, como foi possível acreditarem?
Santa ingenuidade ou hipocrisia?









Não, não, os próximos dias serão amargos,
quero eu que no fim, quando tudo tiver terminado,
que o caminho seja outro que não este tão sofrido
Que a luz rompa definitivamente os corações endurecidos
ou que nós rompamos com os corações endurecidos
e consigamos para nós o trato a que temos direito
Poderemos então olharmo-nos ao espelho e sorrir
sem vergonha e com a dignidade conquistada
com a coragem que se adquire quando a injustiça,
a subjugação e a mortal indignação nos são infligidas durante anos
Não vai ser um parto fácil não, mas a criança vai nascer!
Sonhar é só o que me sobra, mesmo
sem saber o que será depois, sonho o fim da infâmia!









terça-feira, 8 de outubro de 2019

O cometa d'oiro



















Palavras que sorriem comigo 

 dizem o amor e brilham
nelas estrelas cadentes nascem 
 safiras tremeluzem num encanto musical  
 dedilham arabescos filigranas de oiro















O amor em palavras mil vezes dito e desdito
quando sentido por dentro do poema chora sorrindo
levanta as mãos aos céus onde no firmamento cisca
numa estrela o momento
A palavra amor e o amor se entrelaçaram são um só
 o abraço também acontece nos corações
que batem em uníssono graves
na pulsão do sangue nos sentidos













Amor num mar sereno de marés vivas
mãos dadas telepáticas a palavra calada
sem promessas nem juras
ficam os olhos da alma no céu o suspiro mais profundo
no beijo que cintila e adoça o mel
O cometa risca a ardósia da noite em oiro
gira flamejante vertiginoso
iça o amor e espreita
embevecido a eternidade












segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Por agora...




O Melomaníako blog por agora vai fazer uma pausa. Não quer isto dizer que a sua actividade pára, não!
O Melomaníako continua activo no Facebook. São opções, simplesmente...
Visitem a página em:
https://www.facebook.com/antoniomanna57/



segunda-feira, 23 de julho de 2018

Gorillaz e a floresta petrificada









  
  Ao som de Gorillaz, um excerto de mais uma história a ser incluída no próximo livro de contos.










  O som da água está agora bem próximo e a correr Tristão aproxima-se dum lago idílico de águas cristalinas. Mergulha a cabeça e bebe aos goles dessa água fresca. Olha à sua volta e vê uma pequena e fina queda de água que alimenta este pequeno lago. Num recanto deste lago e fora de todo o contexto descrito, um montão de flores bravas do tamanho de rosas, de cor vermelha e amarela, colorem a dualidade massiva dos cinzentos de pedra e do verde intenso.








  Aproxima-se das flores e um perfume inebriante o envolve. Inala o perfume diretamente dum botão amarelo e enquanto o faz vê por trás das flores e quase junto ao lago, o vulto de uma rapariga estranhamente queda. Caminha ao seu encontro e estaca ainda a uma certa distância. A rapariga está coberta com andrajos e por trepadeiras finas e cheias de flores brancas minúsculas. O que deveria ter sido uma túnica é agora um apanhado de fiapos velhos e descoloridos de tecido.









  Nos pés da rapariga, uns pedaços de couro carcomido pelo tempo que parecem ter sido umas sandálias. Ela está junto a uma ramada baixa de uma árvore diferente das que a rodeiam, esta é uma árvore real. Tem a mão na boca, esboçava o gesto de levar algo à boca, o instante petrificou. Os olhos ficaram abertos. A boca entreaberta. A cor da sua pele é acinzentada. Esta rapariga está petrificada como o resto da floresta.










sexta-feira, 6 de abril de 2018

Bebi do Zambeze ao som do Rappa !





   

  
  
   

 




Bebi do Zambeze






A escrita de António Manna remete-nos enquanto leitores para universos e memórias da cultura africana. Ao longo de quatro contos, onde a realidade e a fantasia se entrecruzam, envoltos na presença de uma natureza encantada e atuante, são evidenciados temas como maldições, magias ancestrais, rituais e sofrimentos de amor.



             















Mas António Manna também aborda outro tipo de padecimentos, o de um povo que vive à mercê dos desígnios da guerra e da angustia da morte precoce, seja a que ocorre na savana, no asfalto da cidade ou na vontade do próprio, conforme nos conta em Memórias de uma Alma Errante «Morri duas vezes, primeiro de morte falsa e depois de morte real, e foi esta última que me transformou definitivamente numa alma errante.»





              




Este livro foi distinguido com a menção honrosa do Prémio INCM/Eugénio Lisboa 2017












À venda através do portal da Imprensa Nacional Casa da Moeda, Wook e na Livraria Bertrand:

https://www.incm.pt/portal/loja_detalhe.jsp?codigo=103294

https://www.wook.pt/livro/bebi-do-zambeze-antonio-manna/21716555

https://www.bertrand.pt/livro/bebi-do-zambeze-antonio-manna/21716555

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Van Morrison the great !











                                           






 



  




Fica cada vez menos habitual que os nossos velhos ídolos nos presenteiem com peças de arte, pois a criatividade nem sempre se mantém ao longo dos anos

Conversa de um sexagenário que curte a música com a mesma paixão com que por ela se apaixonou lá no inicio de mim mas, com a leveza e o refinado paladar de quem já ouviu várias décadas de boa música e exige mais,  muito mais dos criadores...














                                   














Van Morrison no alto dos seus 72 anos é um dos raros criadores que faz música ao mesmo tempo que respira, e não faz música má faz só e apenas boa música...

Ouvi pela primeira vez  Van Morrison em 1975 na cidade da Beira o famoso álbum " Hard Nose the Highway " e foi amor à primeira vista e para toda a vida.













                                       














Em 2017 lançou dois álbuns " Rock with the punches " e recentemente "Versátil", depois de em 2016 ter lançado uma preciosidade chamada "Keep me singing ".
Thank you Van Morrison !!









quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Uma improvável Menção Honrosa













Pedro Pereira Lopes (Zambézia, 1987) é o vencedor da 1.ª edição do prémio Literário INCM/ Eugénio Lisboa.
O júri constituído pelo escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, na qualidade de Presidente, por Teresa Manjate e Alexandra Pinho, deliberou, por unanimidade, atribuir o prémio de prosa literária INCM/Eugénio Lisboa ao texto “gente grave”, da autoria de Pedro Pereira Lopes, e uma menção honrosa a “Bebi do Zambeze”, de António Manna.
A atribuição do Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa a “gente grave” deve-se, segundo o júri, ao facto de o autor explorar um género pouco trabalhado em Moçambique e de combinar o policial e o fantástico. O júri sublinhou, também, a correção, coerência e coesão linguística da obra da autoria de Pereira Lopes. Por seu turno, a atribuição de menção honrosa a “Bebi do Zambeze” deve-se à riqueza do imaginário explorado pelo autor.


                  

"Bebi do Zambeze", são quatro contos que foram escritos durante as longas noites de turno nesta Central da Barragem de Cahora Bassa nos finais da década de 80.
Estiveram guardados conjuntamente com um imenso espólio de outros escritos durante cerca de 30 anos. 
Cheguei este ano aos 60 anos de idade e decidi que iria experimentar mostrar alguns destes trabalhos e surpresa, afinal até 
que não são assim tão ruins.
Estou feliz, tenho a sensação impossível de ter dado à luz, é uma felicidade sem palavras que a possa descrever.
O livro será publicado em Fevereiro e espero usar o resto do empoeirado e amarelado espólio manuscrito e também dactilografado num futuro bem próximo.






sábado, 23 de setembro de 2017

O amor de Sumbi







         
                                                                            jasmim do oriente













Essa leveza flui naturalmente quando as almas sorriem.
Às flores basta-lhes a cacimba da noite para de dia, exuberantes, perfumarem
 em coloridos tons florais, os passos dos que se amam.












Emocionados, de mãos dadas acariciam com as pontas dos dedos
os corações que se aconchegam .
Aureolados de uma plenitude macia e doce,
como o prazer terno que se sente ao afagar um pelo macio demais, 
os olhos sorvem o amor dos olhos nos olhos que se tocam, telepáticos...













Lânguidos movimentos que se querem perpétuos, nesse escorrer do mel pelos
lábios que se beijam, dessas almas que se tocam com uma delicadeza titubeante que só o desejo interrompe na sua urgência de arder...










Como é bom sorrir por dentro, gritar para o mundo ouvir que não se é mais triste não,
que afinal, mesmo tardando o amor verdadeiro chega e faz nascer em mim uma vontade louca de poetizar....











Escrever o que não é angústia, é um desafio do coração que já não é e não quer mais ser triste. 
A paixão pelas palavras não morreu quando fiquei feliz, preciso saber se elas terão sabor e texturas doces na mesma dimensão em que já foram amargor, desilusão e lágrimas...










quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Nine Inch Nails e Shelley




























                                      Ozymandis


Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.













E no pedestal estas palavras aparecem:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.

Shelley











segunda-feira, 5 de junho de 2017

Florbela Espanca por aqui...



















Inconstância

Procurei o amor que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava.
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Um sol a apagar-se e outro a acender
Nas brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há de partir também... nem eu sei quando...







Em Busca do Amor

O meu Destino disse-me a chorar:
“Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar.”

Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfilando ...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando ...

Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu ... olhou ... e riu ...

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados ...
E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu! ...”











Volúpia
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...





Que Importa?...

Eu era a desdenhosa, a indif'rente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violências de paixão
Como bate no peito à outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de Desejo ou de emoção,
Enquanto a asa loira da ilusão
Dentro em mim se desdobra a um sol nascente.

Minh'alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte
Toda ela é riso, e é frescura, e graça!

Nela refresca a boca um só instante...
Que importa?... Se o cansado viandante
Bebe em todas as font
es... quando passa?...





sexta-feira, 12 de maio de 2017

Dizer nada... music by Gary Clark Jr.



















Quando a inquietude te assola sabes bem que ela não te assola merda nenhuma.
A inquietude é simplesmente um estado da alma que é provocado por nós próprios, pelas escolhas que temos sempre de fazer. 
Viver é uma sucessão de escolhas que vamos fazendo e no meio delas surgem inquietações que são absolutamente inerentes ao estado que antecede, durante e depois da escolha.
As escolhas que fazemos nunca são feitas cientificamente mas sim humanamente e logo baseadas na trilogia razão, coração e intuição.










O que queremos é o oposto da inquietação e é esse anseio de tranquilidade, paz e equilíbrio que está dependente das escolhas que façamos, dos dados que lançamos.
A inquietação para muitos é o sal que tempera a vida mas para outros é dor e incerteza constante.
Como fazer então? Não existem manuais, apenas a vida vivida para sabermos se as escolhas foram as acertadas ou não.
O resto é só a história que cada um escreve, que vai escrevendo saltitando de escolha em escolha.






Escolher bem para mim pode ser escolher mal aos olhos do outro.
Ser inquieto ou não, passa pela maneira como cada um sente em relação ao ter de escolher, passa pela importância que se dá ao dar certo e ao dar errado.
Como se ouve por ai, o que  nos 
está reservado ninguém nos tira.
Que a inquietude se demore mais pelo lado lúdico e poético que ela tem.
A condição humana é um mistério, inexplicável e maravilhoso!









segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O muro - música de Jack Savoretti





















O desencantado vivia numa casa simples sem dono faziam já cinco anos. Encostada ao seu terreno tinha uma propriedade toda murada cujo proprietário não deixava que se percebesse o que se passava lá dentro. O vizinho vivia isolado e de forma meio dúbia, incomunicável, nunca deixou transparecer qualquer vontade de se abrir a um relacionamento saudável mesmo com a insistência do desencantado em querer criar laços de boa vizinhança.
O muro alto não permitia que o desencantado visse o que acontecia do outro lado no terreno vizinho.
Eis que de um dia para o outro o som de água a correr incessantemente e que ele ouvia, fê-lo pensar numa nascente de águas cristalinas mas o cheiro que pairava no ar desfazia esta imagem. O cheiro putrefato fazia-o perceber que a água que corria era fétida, malcheirosa, corrosiva o que denunciava uma sujidade latente mesmo ali ao seu lado.
O muro da aparência que nada deixava ver permitia imaginar ser a água pura duma nascente.
O perigo fazia-se sentir. O facto de não saber a proveniência destes fluidos era desesperante e assustador.
Decidido a desvendar este mistério e à revelia do vizinho muniu-se dum martelo e de um escopro e tentou abrir um buraco no muro. Queria ver que água era aquela . Esforço em vão, apesar de húmido o muro era duro e impenetrável. As pancadas fortes apenas conseguiram esfarelar um pouco o cimento. O muro era inviolável.
Reflectindo sobre a situação chegou à conclusão que só tinha duas hipóteses:
Continuar incansavelmente e obstinado a insistir na abertura de um buraco para perceber o que era aquela água malcheirosa ou partir para outro lugar. Tentar saber da boca do vizinho estava fora de questão pois era sabido que ele era dissimulado e pouco transparente. Não valia a pena permanecer num lugar assim sem saber o que se passava do outro lado, sabendo do perigo da água que corria e que poderia fazer enfraquecer as fundações  do muro. O som da água a correr soava dentro dos seus ouvidos de forma ininterrupta e o avisava que mais valia abandonar o seu lugar, a sua casa, a sua vida ali, antes que o muro por influência da água desmoronasse sobre a sua casa pondo em perigo a sua própria vida.Tinha de escolher....








De que valem as palavras de bem querer , as juras de amor, as promessas de respeito quando as ações, as atitudes não refletem estas ?
Olhos grandes e imperscrutáveis, que segredos guardam quando os corpos se entregam totalmente no fogo da paixão?
Que mentiras se constroem quando se esconde a essência do ser e se mostra outro ser que se sente e se percebe ser falso?
Será que esses seres levianos acreditam que é possível esconder aquilo que eles mesmo não conseguem controlar e que é por demais evidente? 
Não entendem eles que é transparente esse seu jeito de ser e agir?
Para quê querer parecer ser o que eles sabem que não são e nunca serão?
Que medos levam tais criaturas sem escrúpulos a sacrificar os outros  para se esconderem deles próprios?
Criaturas egoistas, focadas no seu umbigo, incapazes de amar a não ser a si próprios e de uma forma doentia!
Vampiros que sugam o sentir, a alma e o resto que sobrar do infeliz que por eles se encantar!
Que passado terão tido estes seres tão estranhos, que traumas de infância, da adolescência ou mesmo de relações anteriores  carregarão estes infelizes? 
Coitados dos que assim são, acabarão sós e infelizes e acusando o mundo da sua desventura !
Insaciáveis, é a palavra que melhor define esta espécie humana desvalida. Incapazes de se dar, tudo fazem para chamar a atenção a qualquer preço para depois alimentarem a sua sofreguidão narcisista.
Foge infeliz logo que te apercebas que estás nas mãos destes manipuladores dissimulados !




 






   

Amar sem reciprocidade é como ter sede e beber água do mar.
Amar de verdade diz-se ser sem nada querer em troca . Esse amar é sobrenatural quase diria masoquista!
Humanos que somos quando amamos queremos ser amados. A  alternativa caso tal não aconteça é ficar só com o nosso amor próprio que nos basta. O amor de outrem é para somar e não para subtrair!
Aquele que ama e sente não ser amado a continuar numa relação assim condena-se a vis penas !
Só quem está cego da alma aceita tais tratos, só quem não se ama se entrega a tais falsos encantos.
Triste existir o daquele que tudo faz para pautar a sua existência na verdade e na transparência quando enredado nas teias do omisso, da falsidade, da falta de caráter, tudo em prole dum amor que não existe a não ser na sua alma apaixonada e cega...









Depois de carpir o amor próprio ferido, depois de assimilado o fracasso, a desilusão, o desencanto, segue-se o luto redentor!
Sobra o eu, o intocável núcleo da alma!
Trata de ti, lambe as feridas e espera que as mazelas sarem...
O tempo tudo cura, tudo cicatriza, é uma questão de deixar ir e perdoar perdoando-se.
Quando tudo já estiver arrumado e o coração recuperado é seguir em frente.
Respira fundo, levanta a cabeça e podes ter a certeza que nem o horizonte será o limite.
Mais forte, mais sábio e acreditando sempre no amor é certo que amarás de novo !




domingo, 15 de janeiro de 2017

Chegou a hora de deixar ir...





                          










Terminou 2016 e nada melhor que uma boa purga na nossa vida.
Mal de nós se não tivermos a coragem de deixar para trás aquilo que não nos deixa evoluir, mesmo dentro de nós temos nossos lixos que devem ser deixados para trás.
Este é o ano de entrada nos sixties, daqui para a frente o tempo urge e urge ser feliz, estar em paz e amar verdadeiramente !
Entremos então na dança de 2017!










É tempo de deixar ir:


Quando seus pensamentos vão para as memórias mais do  que para o presente.


 Quando a situação lhe causa mais dor do que alegria.

 Quando você espera, tem esperança e defende que a  pessoa, lugar ou situação mude.

 Quando você se torna complacente, entediado ou  ressentido.

 Quando o comportamento persiste mesmo que você tenha  tentado corrigi-lo.











 Quando você se sente sozinho, inaudito ou desrespeitado.

 Quando a situação o impede de crescer e ser quem você  quer ser.

 Quando você fica à espera com expectativa de que as  coisas melhorem.

 Quando você fica triste mais do que ri e do que ama.

 Quando você se sente exausto emocionalmente, espiritual e  fisicamente.










 Quando você perde a sua paixão e alegria.

 Quando as suas  crenças e os seus valores mudaram e  você não é mais você.

 Quando você pára de se divertir.

 Quando você teme que isto é o melhor que será.

 Quando você força um sorriso para mascarar a tristeza.












 Quando você deixa de ser quem você é e pára de sonhar.


 Quando você segura a situação por medo do desconhecido.

 Quando você sente que  está a segurar algo que deve  deixar ir.

 Quando o pensamento de se livrar da situação se expande  dentro de si.

 Quando você acredita em uma vida melhor para si
adaptado de Shannon Kaiser

















quinta-feira, 7 de julho de 2016

O país que não existiu...





                                            Libia Castro and Ólafur Ólafsson
















No país que não existia existindo mas que já não existe, os habitantes viviam convencidos de que eram cidadãos de verdade, que existiam.
Na verdade eles não estavam enganados, apenas não tinham noção da sua real inexistência.
Viviam os seus governantes convencidos de que eram os mais espertos do mundo, eles, os timoneiros do país que não existia.
Então neste país, os governantes acharam que podiam pedir dinheiro emprestado para fins obscuros aos poderosos do mundo, pensavam eles que ninguém iria descobrir ou cobrar. Isto aconteceu sem que o povo soubesse, nem o governo oficial soube, nem as instituições do estado souberam...
Só num país que não existe é que tal loucura poderia ser engendrada. O facto é que mesmo sem existir o país endividou-se e remeteu o pagamento deste roubo efectuado por pessoas que não existem ao seu povo.
O governo e o maior partido da oposição discutiam a verdade e a mentira da democracia, como dois elefantes furiosos que se digladiam  pisando o capim, nessa luta foram matando os filhos do povo, feitos capinzal sob as patas da intolerância e da ambição. Todos os dias morriam mais cidadãos.









Apesar desse país não existir os cidadãos foram morrendo realmente, parece estranho mas aconteceu. 
A natureza furiosa com esta realidade, ainda por cima vinda de um país que não existia, também não os poupou e fustigou-os  com uma longa seca. 
Os cidadãos na sua maioria viviam como se em vez de sangue nas veias tivessem água a correr por elas; viviam como zombis, pareciam dopados, viviam acomodados ao caos e não percebiam que não existiam, a realidade era uma irrealidade.
Nos países que existem, os cidadãos lutam pelos seus direitos, lutam pelo seu país, preocupam-se com a sua dignidade, como pais que amam os filhos, preocupam-se com o país que irão deixar como herança.










Naquele país que não existia, o povo teve o governo que merecia e o governo foi escolhido  ou não por este mesmo povo, esta a questão que os levou à guerra suicida  .
Consta que esse país acabou por desaparecer debaixo duma guerra sem fim e duma pobreza jamais vista que matou quase a totalidade do seu povo .
Passados trinta anos, sobraram apenas alguns cidadãos que dos escombros desse país, vão trabalhando arduamente para criar um homem novo, para criar um país que exista, diferente daquele de que eles mesmo foram um exemplo.


7 de Julho de 2046

Cidadão do futuro