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Os Beatles e a falta de inspiração

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                                                                                    Escrever devia ser fruto da alegria, da felicidade, do prazer, de textos lindos, de música feita de palavras, mas para alguns é esse estado de alma que simplesmente demite a inspiração... Para alguns a dor, a angústia, o sofrimento, são os catalisadores de palavras profundas que viram escritos vindos de precipícios, dos abismos escuros da alma... O vazio do branco imaculado duma folha por escrever, não faz mossa nessa minha afortunada falta de inspiração !!                                         ...

Bukowski & Old Rock

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se não sai de ti a explodir apesar de tudo, não o faças. a menos que saia sem perguntar do teu coração, da tua cabeça, da tua boca das tuas entranhas, não o faças. se tens que estar horas sentado a olhar para um ecrã de computador ou curvado sobre a tua máquina de escrever procurando as palavras, não o faças. se o fazes por dinheiro ou fama, não o faças. se o fazes para teres mulheres na tua cama, não o faças. se tens que te sentar e reescrever uma e outra vez, não o faças. se dá trabalho só pensar em fazê-lo, não o faças. se tentas escrever como outros escreveram, não o faças. se tens que esperar para que saia de ti a gritar, então espera pacientemente. se nunca sair de ti a gritar, faz outra coisa.  se tens que o ler primeiro à tua mulher  ou namorada ou namorado  ou pais ou a quem quer que seja, não estás preparado. não sejas como muitos escritores, não sejas como milhares de pessoas que se consideram escritores, não sejas chato nem aborrecido e pe...

Amor & Ódio

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                                  AMOR                                      A luz no paraíso é feita de azuis, desbotam o mar em tons de aguarela Feito de carinho e doçura o amor se transforma em sublime existir O tacto é transparente e as almas se enroscam num sufocado abraço terno Nas miríades de luz e amor, a dor se desvanece em certezas de alegria e rejubilo Conchas e búzios alaranjados, roxos e brancos imaculados enfeitam as areias virgens Amar dando como que brotando de dentro o nosso melhor, até mesmo o melhor que não sabíamos ter A pele de cobre se torra e transforma-se em café escuro e o sorriso estampado de branco se ilumina O mar presente é sublime na sua quietude, um mar desfeito pelas ilhas, rendido, acaricia, belíssimo!                 ...

O doce veneno da melancolia...

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                                   Nada!  Horas e horas neste ponto morto  Onde caiu agora a minha vida...  Nem um desejo, ao menos!  Só instintos pequenos:  Apetite de cama e de comida!  Nem sequer ler um livro  Ou conversar comigo, discutir...  Nada!  Neutro, morno, a dormir  Com a carne acordada.  Miguel Torga O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele a agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que es...

O Buddha falou assim...

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A essência do Budismo está no caminho que nos leva á libertação do sofrimento.. Tarefa utópica mas ao mesmo tempo verdadeira e longa, quase direi humanamente impossível  ... O sofrimento é o veneno que nos corrói e retira todo o significado á nossa existência Este sofrimento na forma sentida pelo Buddha é mais próximo do sentimento de insatisfação, a nossa insatisfação, estamos felizes agora e daqui a pouco já não estamos... Vivemos sempre nos extremos e a única forma de vida sem sofrer é a do meio, o equilíbrio é o caminho para se sair do ciclo do sofrimento.  O Buddha diz que este sofrimento que todos sentimos tem uma causa, e essa causa está dentro de cada um de nós. Ele depois explica que a causa é o desejo, a forma como nós lidamos com os nossos desejos mais íntimos, os verdadeiros. O desejo tem de existir, o desejo de sermos melhores pessoas, o desejo saudável, o desejo nas suas vertentes extremas não, esse desejo causa o sofrimento.  O Bud...

Love me, love me not...

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Love, love, love Noite de um verão qualquer e o amor a roer feito rato esfomeado num naco de queijo, trincando... O amar é uma foda, é a certeza de que te vais espetar numa curva qualquer O alvoroço da paixão, do sexo, nos embriaga, enfeitiça e tudo fica sem nome Amar é fodido, fica colado e só te apercebes o quanto está colado quando chega a hora de descolar Love, I love you, amo-te, tudo brotando como lava, um sentir prazer enfeitiçado, mas acaba e ai... Fodido saber que acabou mas querer mais, os factos dizendo da diferença de planetas donde viemos, as linguagens intraduziveis ...mas mesmo assim  a tesão do corpo e as auras se fundindo para além de todas as diferenças que nos separam.... Como febre, dependente, viciado eu quero mais, mesmo sabendo que não haverá mais, queres incondicionalmente mais ... Amar é uma dor fodida, acho que uma sensação até maior que o êxtase que a alegria e o prazer  que o próprio amar nos trás, ela faz ...

um beco com reggae...

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Reggae music embalando a tarde de sábado, o cidadão entorpecido pelos dias de instabilidade  vai se consumindo numa amnésia étilica, a música aos berros, o cidadão repete a rotina de todos fins de semana mas algo soa a falso. O pessoal vai fazendo o mesmo de todos os fins de semana mas algo estranho, impalpável, não deixa que a alegria, a festa habitual  seja como todas as outras do passado muito recente . O saco vem enchendo e o cheiro agora já se vai alastrando, como um perfume nauseabundo a intolerância  o orgulho e o ódio enchem o éter e mesmo que não queiramos ele ali está presente, nos agoniando, tirando-nos a bênção da tranquilidade. Um dia perfeito de Verão africano, o movimento nas barracas, a enchente na praia, a música no ar, as vozes eufóricas nas combinações das farras, tudo igual mas por dentro a agonia da incerteza  triturando a esperança que já é escassa. No cérebro da internet percorremos cada vez mais os canais que dizem so...

Hesse & Moska

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                                      A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte.  É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.  O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons  duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das ...

Flores murchas e um País doente ...

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                                                          Dizia o primeiro presidente deste país que as crianças são flores que nunca murcham, mas murcham sim, estão cada vez mais murchas, sofrem como que uma praga, morrem aos poucos, se descolorem e agonizam pelos vãos de escada e pelos passeios mais imundos desta cidade. As flores e o resto do meu  povo estão morrendo, se esvaindo em sangue, a inocência destes meninos vai murchando e secando e por entre as balas que cruzam nossa pátria, as populações vagam sem rumo, sem hipótese de se esquivarem da matança e entre elas caminham os velhos, as mulheres desamparadas e as nossas flores murchando. A sobrevivência dum povo está a ser posta em causa, somos filhos com pais legítimos e estamos sendo tratados como órfãos abandonados, como seres...

Lou Reed & the wild side

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                                                                                       1942 - 2013 A música de Lou Reed soa no ar e as imagens nítidas dum tempo memorável fazem acordar um passado que se viveu intenso, cheio de excentricidades e excessos. Ouvi pela 1ª vez Lou Reed em Lisboa em 76, depois dessa ouvi muitas vezes mais, muitas mesmo, esse som único e estranhamente embriagante, a voz inimitável do bardo do mundo underground, do bas fond, das cores e ideias de Andy Warhol , do psicadélico, das drogas e das putas. Velvet Underground e a arte de Warhol !!! Patty Smith, Television, Stranglers, Genesis, Bob Marley, Peter Toch, Steely Dan, Peter Frampton, Joan Armatrading, Steve Miller, Peter Green, Caetano, Gil, Chico, etc.....