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Outono com Ella e Louis

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                                                                                         pintura de Leonid Afremov Outono uma folha amarelada tomba no ombro resvala para o chão um tapete de frutos podres folhas e o cheiro da terra O sol sorri ainda de peito alçado o calor finge que ainda não se recolheu no coração que bate feito savana a planície vibra e irradia  No Outono o sol vermelho tinge o pensamento o aceno ao sul e às monções é instintivo Parto o cálice da fantasia e inspiro o cair da tarde com amor e gáudio Outono a noite nítida erigirá altares e cantaremos à neblina e aos nevoeiros Afinal não é a beleza a mais perfeita invenção dos olhos da alma? Outono quando as l...

Eleições mesmo?

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                                                                            pintura de Pedro Mourana     Partem para elas como para uma corrida sabemos que será tudo menos tal Gastam a energia e o pouco dinheiro fingindo que são sérios e dançamos todos comemos e o carnaval é longo e oco Como uma onda revolta as pessoas fluem de lá para cá e de cá para lá, aos gritos, excitados como as crianças quando no circo  os palhaços e os malabaristas os levam ao êxtase Aqui o êxtase é feito de conspirações, promessas inverosímeis as velhas trapaças com marionetes ainda funcionam e o povo exulta, corre pelo areal, vai à loucura! Do mais lerdo ao mais iluminado parece que todos se prontificaram a assistir ao espetáculo sem guião, o ...

O cometa d'oiro

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Palavras que sorriem comigo   dizem o amor e brilham nelas estrelas cadentes nascem   safiras tremeluzem num encanto musical    dedilham arabescos filigranas de oiro O amor em palavras mil vezes dito e desdito quando sentido por dentro do poema chora sorrindo levanta as mãos aos céus onde no firmamento cisca numa estrela o momento A palavra amor e o amor se entrelaçaram são um só  o abraço também acontece nos corações que batem em uníssono graves na pulsão do sangue nos sentidos Amor num mar sereno de marés vivas mãos dadas telepáticas a palavra calada sem promessas nem juras ficam os olhos da alma no céu o suspiro mais profundo no beijo que cintila e adoça o mel O cometa risca a ardósia da noite em oiro gira flamejante vertiginoso iça o amor e espreita embevecido...

Por agora...

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O Melomaníako blog por agora vai fazer uma pausa. Não quer isto dizer que a sua actividade pára, não! O Melomaníako continua activo no Facebook. São opções, simplesmente... Visitem a página em: https://www.facebook.com/antoniomanna57/

Gorillaz e a floresta petrificada

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     Ao som de Gorillaz, um excerto de mais uma história a ser incluída no próximo livro de contos.   O som da água está agora bem próximo e a correr Tristão aproxima-se dum lago idílico de águas cristalinas. Mergulha a cabeça e bebe aos goles dessa água fresca. Olha à sua volta e vê uma pequena e fina queda de água que alimenta este pequeno lago. Num recanto deste lago e fora de todo o contexto descrito, um montão de flores bravas do tamanho de rosas, de cor vermelha e amarela, colorem a dualidade massiva dos cinzentos de pedra e do verde intenso.   Aproxima-se das flores e um perfume inebriante o envolve. Inala o perfume diretamente dum botão amarelo e enquanto o faz vê por trás das flores e quase junto ao lago, o vulto de uma rapariga estranhamente queda. Caminha ao seu encontro e estaca ainda a uma certa distância. A rapariga está coberta com andrajos e por trepadeiras finas e cheias de flores brancas minúsculas. O que deveria ter sido uma túnica é ag...

Bebi do Zambeze ao som do Rappa !

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                Bebi do Zambeze A escrita de António Manna remete-nos enquanto leitores para universos e memórias da cultura africana. Ao longo de quatro contos, onde a realidade e a fantasia se entrecruzam, envoltos na presença de uma natureza encantada e atuante, são evidenciados temas como maldições, magias ancestrais, rituais e sofrimentos de amor.               Mas António Manna também aborda outro tipo de padecimentos, o de um povo que vive à mercê dos desígnios da guerra e da angustia da morte precoce, seja a que ocorre na savana, no asfalto da cidade ou na vontade do próprio, conforme nos conta em Memórias de uma Alma Errante «Morri duas vezes, primeiro de morte falsa e depois de morte real, e foi esta última que me transformou definitivamente numa alma errante.»         ...

Van Morrison the great !

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                                                 Fica cada vez menos habitual que os nossos velhos ídolos nos presenteiem com peças de arte, pois a criatividade nem sempre se mantém ao longo dos anos Conversa de um sexagenário que curte a música com a mesma paixão com que por ela se apaixonou lá no inicio de mim mas, com a leveza e o refinado paladar de quem já ouviu várias décadas de boa música e exige mais,  muito mais dos criadores...                                     Van Morrison no alto dos seus 72 anos é um dos raros criadores que faz música ao mesmo tempo que respira, e não faz música má faz só e apenas boa música... Ouvi pela primeira vez  Van Morrison em 1975 na cidade da Beira o fa...

Uma improvável Menção Honrosa

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Pedro Pereira Lopes (Zambézia, 1987) é o vencedor da 1.ª edição do prémio Literário INCM/ Eugénio Lisboa. O júri constituído pelo escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, na qualidade de Presidente, por Teresa Manjate e Alexandra Pinho, deliberou, por unanimidade, atribuir o prémio de prosa literária INCM/Eugénio Lisboa ao texto “gente grave”, da autoria de Pedro Pereira Lopes, e uma menção honrosa a “Bebi do Zambeze”, de António Manna. A atribuição do Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa a “gente grave” deve-se, segundo o júri, ao facto de o autor explorar um género pouco trabalhado em Moçambique e de combinar o policial e o fantástico. O júri sublinhou, também, a correção, coerência e coesão linguística da obra da autoria de Pereira Lopes. Por seu turno, a atribuição de menção honrosa a “Bebi do Zambeze” deve-se à riqueza do imaginário explorado pelo autor.                    "Bebi do Zambeze", são quatro co...

O amor de Sumbi

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                                                                                      jasmim do oriente Essa leveza flui naturalmente quando as almas sorriem. Às flores basta-lhes a cacimba da noite para de dia, exuberantes, perfumarem  em coloridos tons florais, os passos dos que se amam. Emocionados, de mãos dadas acariciam com as pontas dos dedos os corações que se aconchegam . Aureolados de uma plenitude macia e doce, como o prazer terno que se sente ao afagar um pelo macio demais,  os olhos sorvem o amor dos olhos nos olhos que se tocam, telepáticos... Lânguidos movimentos que se querem perpétuos, nesse escorrer do mel pelos lábios que se beijam, dessas almas que se tocam com uma delicadeza titub...

Nine Inch Nails e Shelley

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                                      Ozymandis Eu encontrei um viajante de uma terra antiga Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso Erguem-se no deserto. Perto delas na areia, Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida, A mão que os zombava e o coração que os alimentava. E no pedestal estas palavras aparecem: "Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!" Nada resta: junto à decadência Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância. Shelley