Uma metamorfose dos sentidos...
Quando de repente o céu escureceu pensei por momentos que fosse um temporal a chegar sem avisar, e era, era a maior tempestade dos meus sentidos! Os vidros de meu edifício vibraram de tal forma que meus ouvidos ensurdeceram com o clamor de minha alma, gritando feito um berro, sobrepondo-se o lamento ao som dos vidros enlouquecidos ... Partiu-se o espelho onde toda a vida me mirei, infeliz dono de tantas certezas, onde a minha imagem reflectida, a do meu ser agachado com o peso das expectativas que se alhearam de tudo, cagaram para mim e empurram-me para baixo; a imagem repetia-se e repetia-se em cada pedacinho de espelho, fazendo-me no meu ajoelhar multiplicado, entender a frio que o jogo acabou, a tempestade não veio por acaso, veio para se transformar em verdade de uma vez por todas. Naquele momento a temperatura subiu...