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A guerra prometida ...

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" O maravilhoso da guerra é que cada chefe de assassinos faz abençoar suas bandeiras e invoca solenemente a Deus antes de lançar-se a exterminar a seu próximo." Voltaire A guerra, que aflige com os seus esquadrões o Mundo,  É o tipo perfeito do erro da filosofia.  A guerra, como tudo humano, quer alterar.  Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito  E alterar depressa.  Mas a guerra inflige a morte.  E a morte é o desprezo do Universo por nós.  Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.  Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.  Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs.  Tudo é orgulho e inconsciência.  Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto.  Pára o coração e o comandante dos esquadrões  Regressa aos bocados ao universo exterior.  A química directa da N...

O Buddha na lucidez de Pessoa

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Ninguém a outro ama, senão que ama O que de si há nele, ou é suposto. Nada te pese que não te amem. Sentem-te Quem és, e és estrangeiro. Cura de ser quem és, amam-te ou nunca. Firme contigo, sofrerás avaro De penas. Não só quem nos odeia ou nos inveja Nos limita e oprime; quem nos ama Não menos nos limita. Que os deuses me concedam que, despido De afetos, tenha a fria liberdade Dos píncaros sem nada. Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada É livre; quem não tem, e não deseja, Homem, é igual aos deuses. Não queiras, Lídia, edificar no spaço Que figuras futuro, ou prometer-te Amanhã.  Cumpre-te hoje, não 'sperando. Tu mesma és tua vida. Não te destines, que não és futura. Quem sabe se, entre a taça que esvazias, E ela de novo enchida, não te a sorte Interpõe o abismo? Não quero as oferendas Com que fingis, sinceros Dar-me os dons que me dais. Dais-me o que perderei, Chorando-o, duas vezes, Por vosso e meu, perdido. Antes mo promet...

Silicone Soul & Soul Clap , a alma duplamente ...

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Constatar, assim mesmo... Ficar lúcido com delay, assim como não querendo tipo um tingir liquido de azuis,  depois azul mais escuro e de novo os azuis mais claros, agora a clarearem até tudo ficar alvo, branco, límpido...cheio de luz! never ending history... as portas da percepção atravessadas sem surpresa... o nirvana particular aprofundado num só átomo, mais suculento, os caminhos opostos se aproximando em Zen , sossegando... Nenhum ser nos foi concedido. Correnteza apenas  Somos, fluindo de forma em forma docilmente:  Movidos pela sede do ser atravessamos  O dia, a noite, a gruta e a catedral  Assim sem descanso as enchemos uma a uma  E nenhuma nos é o lar, a ventura, a tormenta,  Ora caminhamos sempre, ora somos sempre o visitante,  A nós não chama o campo, o arado, a nós não cresce o pão  Não sabemos o que de nós quer Deus  Que, barro em suas mãos, connosco brinca,...

Reuters 2011 - song by Miles Davies & John Coltrane

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ARTE     A arte baseia-se na vida, porém não como matéria mas como forma. Sendo a arte um produto directo do pensamento, é do pensamento que se serve como matéria; a forma vai buscá-la à vida. A obra de arte é um pensamento tornado vida: um desejo realizado de si-mesmo. Como realizado tem que usar a forma da vida, que é essencialmente a realização; como realizado em si-mesmo tem que tirar de si a matéria em que realiza. Fernando Pessoa PODER A natureza não é benévola, e é com determinada indiferença que de tudo se vale para os seus fins. Lao Tsé                                                AMOR E FÉ           Pela reflexão, comedimento, auto-domínio, os sensatos podem tornar...

Smiths - Cansaço

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O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto em alguém, Essas coisas todas — Essas e o que falta nelas eternamente —; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada — Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, U...

Fernando Pessoa - song by Raphael Saadiq

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Depois  de ouvir o último álbum de Raphael Saadiq " Stone Rollin' " apaixonei-me por este tema e resolvi fazer um post  a combinar com sadness, emotion and peace.. Ontem também pensou-se em Fernando Pessoa, morreu há 76 anos e o que escreveu é intemporal...nada como fazer-lhe mais uma devida e merecida vénia... O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão.  Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida. Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se ...

Pessoa - song by Elbow

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Sou Lúcido Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele; E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha (Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro: Não sou parvo nem romancista russo, aplicado, E romantismo, sim, mas devagar...). Sinto uma simpatia por essa gente toda, Sobretudo quando não merece simpatia. Sim, eu sou também vadio e pedinte, E sou-o também por minha culpa. Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte: É estar ao lado da escala social, É não ser adaptável às normas da vida, 'As normas reais ou sentimentais da vida - Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta, Não ser pobre a valer, operário explorado, Não ser doente de uma doença incurável, Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria, Não ser, enfim, aquelas pessoas soci...

Give Praise - Luciano

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Eu que me Aguente Comigo Contudo, contudo, Também houve gládios e flâmulas de cores Na Primavera do que sonhei de mim. Também a esperança Orvalhou os campos da minha visão involuntária, Também tive quem também me sorrisse. Hoje estou como se esse tivesse sido outro. Quem fui não me lembra senão como uma história apensa. Quem serei não me interessa, como o futuro do mundo. Caí pela escada abaixo subitamente, E até o som de cair era a gargalhada da queda. Cada degrau era a testemunha importuna e dura Do ridículo que fiz de mim. Pobre do que perdeu o lugar oferecido por não ter casaco limpo com que aparecesse, Mas pobre também do que, sendo rico e nobre, Perdeu o lugar do amor por não ter casaco bom dentro do desejo. Sou imparcial como a neve. Nunca preferi o pobre ao rico, Como, em mim, nunca preferi nada a nada. Vi sempre o mundo independentemente de mim. Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas, Mas isso era outro mu...