Os eus do Eduardo White
Hoje sou eu e não sou, estou em mim como uma realidade etérea dentro e física fora. Sai de casa um e voltei para ela outro. Dei conta desse facto, agora, quando me sentei junto ao computador e quis escrever e não pude. Entretanto, uma campainha fictícia tocou-me e abri o peito para espreitar quem era e era o outro que tocava. Esqueceste-te de mim, disse-me. Eu fitei-o alarmado porque nunca tal realidade se tinha dado assim tão evidente. Desculpa-me, respondi-lhe. Abri mais o peito e ele entrou-me e logo fiquei dois num ápice. Sentamos-nos os três. Eu, a matéria, e os dois outros que me ocupam e que são informes e intactáveis e que aqui falam comigo de modo estranho. Acho inacreditável que não seja eu nenhum de vós dentro de mim, afirmo-lhes. E eles riem-se e eu calo-me estupefacto. Se sou dois e percebo, quem é este dentro de mim? Pergunto-lhes. Sim, porque se os vejo, sou e se com eles falo, penso e se...