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A mostrar mensagens de setembro, 2014

Os eus do Eduardo White

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  Hoje sou eu e não sou, estou em mim como uma realidade etérea dentro e física fora. Sai de casa um e voltei para ela outro.  Dei conta desse facto, agora, quando me sentei junto ao computador e quis escrever e não pude.   Entretanto, uma campainha fictícia tocou-me e abri o peito para espreitar quem era e era o outro que tocava.  Esqueceste-te de mim, disse-me.  Eu fitei-o alarmado porque nunca tal realidade se tinha dado assim tão evidente.  Desculpa-me, respondi-lhe.  Abri mais o peito e ele entrou-me e logo fiquei dois num ápice. Sentamos-nos os três. Eu, a matéria, e os dois outros que me ocupam e que são informes e intactáveis e que aqui falam comigo de modo estranho. Acho inacreditável que não seja eu nenhum de vós dentro de mim, afirmo-lhes.  E eles riem-se e eu calo-me estupefacto. Se sou dois e percebo, quem é este dentro de mim?  Pergunto-lhes. Sim, porque se os vejo, sou e se com eles falo, penso e se...

...relendo Eduardo White

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Crê.  Deus me chega pela manha, pelo dia que se abre para o azul, para a pureza que de tudo emana, para o renovado e para o cantado. Deus abraça-me com a frescura e se senta dentro de mim. Faço-lhe o café, aparo-lhe a barba e troco a sua túnica de cetim. Deus é, desse modo, todo cordial e distraído, percorre-me a casa, vasculha-me os livros, pede-me versos e num pássaro, num segundo, veste-lhe as asas. Deus dormita cansado em frente à televisão, ressona tão forte como uma trovoada e por vezes chove ou se incendeia numa tempestade e eu acordo-o e Ele se levanta todo assustado. Depois quer brincar e pergunta-me pelas crianças e eu digo-Lhe: Deus, os meninos já estão crescidos. E Ele olha-me, fixamente, e questiona: E tu? E e eu brinco, não tenho outro remédio, e carrego-O ás cavalitas enquanto se ri, embora já pese muito esse meu Deus querido e gordo, e Ele esconde-se pelos quartos, pelas roupas penduradas ou desarrumadas, pelos jornais abandonados pela sala, pelos ...