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O doce veneno da melancolia...

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                                   Nada!  Horas e horas neste ponto morto  Onde caiu agora a minha vida...  Nem um desejo, ao menos!  Só instintos pequenos:  Apetite de cama e de comida!  Nem sequer ler um livro  Ou conversar comigo, discutir...  Nada!  Neutro, morno, a dormir  Com a carne acordada.  Miguel Torga O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele a agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que es...

Estilhaçado

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                                O chão fugiu, num piscar de olhos o sol emudeceu... Como chuva caindo muita, também seu sol se esvaiu pelo chão e tudo a terra sugou... A festa que parecia a celebração perfeita da vida terminou e ficou ele de novo dançando sozinho. Sozinho com seus ais e seus fantasmas hilariantes, com sua estupefacção aos caprichos do improvável... O caminho como diz seu velho amigo começa a ficar mais claro, o processo se desenrolando...  A sabedoria da dor é pungente e apunhala, fere trespassa as lágrimas e nem chorar consegue, queda-se acocorado, à  mercê do acaso... O fascínio é lhe proibido, apenas poderá passear seu olhar pelo oxigénio do sentir, sem ele sorrindo a certeza do definhar é vera e caótica. Uma vontade de pranto o acomete e quase com prazer anseia o momento em que explodirá por dentro, em que os ...