Borges de novo ao Domingo...
Jorge Luís Borges escreve dum modo que me tira todo ensejo de tentar rabiscar minhas divagações, fico seco... Hoje reli pela milésima vez, poemas e trechos de um dos quatro volumes da sua antologia, que são meus livros de cabeceira e me pasmo sempre com tanta sensibilidade, criatividade, erudição. Todos atributos de grandeza se aplicam à obra deste génio do pensamento e das letras Num deserto lugar do Irão há uma não muito alta torre de pedra, sem portas nem janelas. No único compartimento (cujo chão é de terra e tem a forma de um círculo) há uma mesa de madeira e um banco. Nessa cela circular, um homem parecido comigo escreve em caracteres que não compreendo um longo poema sobre um homem que noutra cela circular escreve um poema sobre um homem que noutra cela circular... O processo não tem fim e ninguém poderá ler o que os prisioneiros escrevem. Só uma coisa não há: e esta é o olvido. Deus, que salva o metal, ...