O doce veneno da melancolia...
Nada! Horas e horas neste ponto morto Onde caiu agora a minha vida... Nem um desejo, ao menos! Só instintos pequenos: Apetite de cama e de comida! Nem sequer ler um livro Ou conversar comigo, discutir... Nada! Neutro, morno, a dormir Com a carne acordada. Miguel Torga O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele a agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que es...