...relendo Eduardo White
Crê. Deus me chega pela manha, pelo dia que se abre para o azul, para a pureza que de tudo emana, para o renovado e para o cantado. Deus abraça-me com a frescura e se senta dentro de mim. Faço-lhe o café, aparo-lhe a barba e troco a sua túnica de cetim. Deus é, desse modo, todo cordial e distraído, percorre-me a casa, vasculha-me os livros, pede-me versos e num pássaro, num segundo, veste-lhe as asas. Deus dormita cansado em frente à televisão, ressona tão forte como uma trovoada e por vezes chove ou se incendeia numa tempestade e eu acordo-o e Ele se levanta todo assustado. Depois quer brincar e pergunta-me pelas crianças e eu digo-Lhe: Deus, os meninos já estão crescidos. E Ele olha-me, fixamente, e questiona: E tu? E e eu brinco, não tenho outro remédio, e carrego-O ás cavalitas enquanto se ri, embora já pese muito esse meu Deus querido e gordo, e Ele esconde-se pelos quartos, pelas roupas penduradas ou desarrumadas, pelos jornais abandonados pela sala, pelos ...