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Um pedaço do conto Licaho

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                       Estou a reescrever este conto fantástico e resolvi partilhar este excerto para vossa apreciação... O mato selvagem cercava-os. O som dos animais selvagens fazia-se sentir a espaços, sendo o próximo som mais assustador do que o anterior. O cenário era esclarecedor quanto ao perigo da zona que atravessavam. Lúcio com um cajado numa mão e a catana a tiracolo seguia à frente. Timbissa com os peixes numa mão e uma lança que o velho lhe emprestara na outra, seguia-o monologando entre-dentes. A lua cheia produzia uma luminosidade de tons azulados, transformava a savana numa paisagem surreal. Olhos brilhantes espreitavam em cada encruzilhada do caminho. O suor alagava-lhes as axilas e os pés calejados abriam rachas,  feridos pelas pedras cortantes que iam pisando pelo trilho.  Faltava pouco.  Pousado num tronco do embondeiro e piando sinistramente, estava um mocho colossal. Ao vê-...

Os eus do Eduardo White

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  Hoje sou eu e não sou, estou em mim como uma realidade etérea dentro e física fora. Sai de casa um e voltei para ela outro.  Dei conta desse facto, agora, quando me sentei junto ao computador e quis escrever e não pude.   Entretanto, uma campainha fictícia tocou-me e abri o peito para espreitar quem era e era o outro que tocava.  Esqueceste-te de mim, disse-me.  Eu fitei-o alarmado porque nunca tal realidade se tinha dado assim tão evidente.  Desculpa-me, respondi-lhe.  Abri mais o peito e ele entrou-me e logo fiquei dois num ápice. Sentamos-nos os três. Eu, a matéria, e os dois outros que me ocupam e que são informes e intactáveis e que aqui falam comigo de modo estranho. Acho inacreditável que não seja eu nenhum de vós dentro de mim, afirmo-lhes.  E eles riem-se e eu calo-me estupefacto. Se sou dois e percebo, quem é este dentro de mim?  Pergunto-lhes. Sim, porque se os vejo, sou e se com eles falo, penso e se...

Mayra Andrade e a africanidade

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                                                                                                     Ilha de Sta carolina - Arquipélago de Bazaruto África, do pôr do sol que se incendeia em vermelhos e laranjas.   Incendeiam-se também as savanas e os corações cansados e desiludidos... África das doces tangerinas, das mangas de mel e dos doces sorrisos das gentes! O amargo das vidas perdidas contrastam com a dádiva da beleza dos palmares infinitos... África das praias paradisíacas e virgens, do espaço onde o tempo se perdeu para sempre de si. Na sede do ultraje e da rapina, o nosso futuro eternamente se adia,  o futuro desacontece... África dos contrastes, onde as minoriazinhas reinam sobr...