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Zero 7 - caminhando...

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I Tenho sonhos cruéis; n'alma doente Sinto um vago receio prematuro. Vou a medo na aresta do futuro, Embebido em saudades do presente... Saudades desta dor que em vão procuro Do peito afugentar bem rudemente, Devendo, ao desmaiar sobre o poente, Cobrir-me o coração dum véu escuro!... Porque a dor, esta falta d_harmonia, Toda a luz desgrenhada que alumia As almas doidamente, o céu d'agora, Sem ela o coração é quase nada: Um sol onde expirasse a madrugada, Porque é só madrugada quando chora. II Encontraste-me um dia no caminho Em procura de quê, nem eu o sei. d Bom dia, companheiro, te saudei, Que a jornada é maior indo sozinho É longe, é muito longe, há muito espinho! Paraste a repousar, eu descansei... Na venda em que poisaste, onde poisei, Bebemos cada um do mesmo vinho. É no monte escabroso, solitário. Corta os pés como a rocha dum calvário, E queima como a areia!... Foi no entanto Que choramos a dor de cada um... E o vinho em que...