
Teimaste
em querer, perturbaste o silêncio dos gestos,
acariciaste o
pelo sedoso da perdição e assim perdeste,
o ensombrado estado
de graça, a pachorrenta via sacrados sentidos adormecidos, voltaste ao inferno e ardeste
Como pedras de aguçadas arestas, que beijaram sedentas
bocas, ávidas de não morrer, desesperaram os prisioneiros,
tristes, arrastaram-se sobre pedras afiadas, as almas feridas,
os sorrisos exangues, trocistas, a fazer crer que era possível
Não sabias da mudança das estações, nem do desgaste do sol
achavas que podias esticar as cores, escrever cheiros, prender
o amor numa gaiola de oiro, deixar o acaso desvendar o trilho,
mas o céu baixou o tom, tocou no coração ferido, fez anoitecer
Quimeras são mentiras como promessas, são contos de fantasia
são como amores garantidos, almas gémeas, encontros do acaso
são sorrisos rasgados com o brilho nos olhos, são falsos dizeres
quantas vezes o que se não diz, tudo revela, no gesto, no silêncio
António Manna
(Jean-Michel Basquiat "Ashes", 1981 )
Comentários
Enviar um comentário