Escondida nas folhas amarelecidas, a flor guarda do beijo, o calor húmido dos lábios, na luz desse dia ao entardecer, tecemos intrincados sonhos, plantámos pirilampos nas mãos relemos corais, dos poemas na penumbra, refizemos o amor O livro já era velho, morava na sacola nómada dos meus dias as pontas amachucadas das folhas, diziam da teimosia da fala deitado no banco noturno, junto ao candeeiro do jardim, lia o poeta das estepes, quando do breu a deusa surgiu, ela e a flor Dizia o bardo no meu peito, do amor e do espaço entre as cordas do alaúde, de não beber do mesmo copo ou comer do mesmo pão, quando ela se materializou em mel, na correnteza das minhas veias, no beijo levitámos, luzente de pirilampos, o livro aberto nas mãos O papel cheira à sépia do tempo, as letras da capa descascadas, senis, repetem os olhares trocados, depois do poema arder e tudo incendiar, quando o véu se diluiu, a chama iluminou o rosto, brilhou nos olhos acendeu o b...
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Teimaste em querer, perturbaste o silêncio dos gestos, acariciaste o pelo sedoso da perdição e assim perdeste, o ensombrado estado de graça, a pachorrenta via sacra dos sentidos adormecidos, voltaste ao inferno e ardeste Como pedras de aguçadas arestas, que beijaram sedentas bocas, ávidas de não morrer, desesperaram os prisioneiros, tristes, arrastaram-se sobre pedras afiadas, as almas feridas, os sorrisos exangues, trocistas, a fazer crer que era possível Não sabias da mudança das estações, nem do desgaste do sol achavas que podias esticar as cores, escrever cheiros, prender o amor numa gaiola de oiro, deixar o acaso desvendar o trilho, mas o céu baixou o tom, tocou no coração ferido, fez anoitecer Quimeras são mentiras como promessas, são contos de fantasia são como amores garantidos, almas gémeas, encontros do acaso são sorrisos rasgados com o brilho nos olhos, são falsos dizeres quantas vezes o que se não diz, tudo revela, no gesto, no silêncio An...
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Ao fim de quase seis anos, regresso ao princípio, onde tudo começou. Sim, foi aqui que comecei a publicar e era só o gosto de publicar... estávamos em 2008. As redes sociais, quiseram matar o Melomaníako, mas a previdência manteve-o vivo, em lume muito fraquinho. O regresso, vem depois de um processo de desintoxicação das redes sociais. Afinal o objectivo é só colocar na web, que melhor lugar que este. René Magritte "A clarividência", 1936 SIA-VUMA