Teimaste em querer, perturbaste o silêncio dos gestos, acariciaste o pelo sedoso da perdição e assim perdeste, o ensombrado estado de graça, a pachorrenta via sacra dos sentidos adormecidos, voltaste ao inferno e ardeste Como pedras de aguçadas arestas, que beijaram sedentas bocas, ávidas de não morrer, desesperaram os prisioneiros, tristes, arrastaram-se sobre pedras afiadas, as almas feridas, os sorrisos exangues, trocistas, a fazer crer que era possível Não sabias da mudança das estações, nem do desgaste do sol achavas que podias esticar as cores, escrever cheiros, prender o amor numa gaiola de oiro, deixar o acaso desvendar o trilho, mas o céu baixou o tom, tocou no coração ferido, fez anoitecer Quimeras são mentiras como promessas, são contos de fantasia são como amores garantidos, almas gémeas, encontros do acaso são sorrisos rasgados com o brilho nos olhos, são falsos dizeres quantas vezes o que se não diz, tudo revela, no gesto, no silêncio An...